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    Os solares imperiais do Vale do Paraba so, ainda hoje, o testemunho vivi da grandeza do Ciclo do Caf. O Instituto Preservale apresenta algumas das mais belas casas rurais do Brasil do sculo XIX, contando um pouco de sua histria e convidando o internauta do sculo XXI para uma viagem no tempo.

     

    Fazendas:

    Barra do Pira

    Hotel Fazenda do Arvoredo

    Fazenda Ponte Alta

    Fazenda So Joo da Prosperidade

    Fazenda da Taquara

    Fazenda da Aliana

     

     

    Rio das Flores

     

    Fazenda Unio

    Fazenda Santo Antnio

    Fazenda do Parazo

    Fazenda Campos Eliseos

     

     

    Paty dos Alferes

     

    Fazenda Monte Alegre

    Fazenda Pao Grande

    Fazenda Santa Ceclia

    Fazenda So Joo da Barra

    Fazenda Boa Esperana

     

     

    Valena

     

    Fazenda Vista Alegre

    Fazenda Santo Antnio do Paiol

    Fazenda Pau DAlho

    Fazenda Florena

    Fazenda Bocaina

    Fazenda Chacrinha

     

     

    Vassouras

     

    Fazenda So Luiz da Boa Sorte 

    Fazenda Cachoeira Grande

    Fazenda do Secretrio

    Fazenda Mulungu Vermelho

    Fazenda Cachoeira do Mato Dentro

    Fazenda So Fernando

     

    Barra Mansa

     

    Fazenda da Posse

     

     

    Barra do Pira

     

    Hotel Fazenda do Arvoredo

                Antiga Fazenda Santa Maria

     

    O Hotel Fazenda do Arvoredo localiza-se na antiga Fazenda Santa Maria, em Barra do Pira, no Vale do Paraba Fluminense. No sculo XVIII, esta regio comea a ser desbravada e colonizada como o caminho para as Minas Gerais, tornando-se local de apoio da Corte para as Minas e vice-versa. Com o solo frtil, o clima ameno e a mo de obra escrava, a cultura do caf obtm enorme sucesso. Transforma esses fazendeiros em empresrios rurais, possuidores de grande fortuna e poder junto ao imperador, que os agracia com ttulos nobiliquicos, o que os torna conhecidos como os famosos bares do caf. Com o enriquecimento dos Fazendeiros, estas unidades de produo se sofisticam. Constroem-se casas senhoriais, as casas grande, o abrigo dos escravos, as senzalas, os depsitos do caf, as tulhas, dispostos em torno do ptio de secagem do caf, formando assim o quadriltero funcional.

    A Fazenda Santa Maria mantm as caractersticas de uma autntica fazenda do ciclo do caf. O andar superior da casa grande, moradia dos bares, divide-se em trs reas distintas: rea comercial, rea social e rea ntima, tendo ao centro o trium, onde circulava o ar para manter uma boa aclimatao da casa. Na cozinha, encontra-se ainda o antigo fogo lenha, datado do sculo XIX, em pleno e total funcionamento, responsvel por um dos destaques do hotel que culinria regional.

     Em 1818, o Prncipe Regente D. Joo doou a Jos Luiz Gomes, Baro de Mambucaba, extensas terras com o objetivo de nelas plantar caf, atividade economicamente promissora, dando origem a Fazenda Santa Maria.
    Em 1836, Honrio Hermeto Carneiro Leo, homem de grande fora poltica, assume a fazenda. Seu filho, Nicolau Neto Carneiro Leo, herda a propriedade e recebe o ttulo de Baro de Santa Maria. Manda construir outra sede, maior e mais luxuosa, concluda em 1858. Em 1903, a fazenda adquirida pelo Conde Joo Leopoldo Modesto Leal, juntamente com outras 30, dentre as quais a Fazenda Ponte Alta.

    Em 1982, a antiga Santa Maria recebida como herana pelos irmos Ana e Augusto Pascoli, que a transformaram em Hotel Fazenda em 1992, iniciando assim, um novo ciclo: o do turismo. Ana Helosa, prematuramente falecida em maio de 2001, foi junto com seu irmo, Augusto Eduardo, Scia Fundadora do Instituto PRESERVALE, promovendo e apoiando o Turismo Cultural e Ecolgico, no apenas como empresrios do setor, mas com a sua atuao e dedicao pessoal a memria do Vale e sua histria.

    No Hotel Fazenda  do Arvoredo, o visitante poder desfrutar de um tour pela sede, aprendendo sobre mobilirio, arte, e arquitetura do sculo XIX com o prprio Baro de Santa Maria e sua esposa, interpretados por funcionrios do Hotel trajados a carter. Aps o tour, o turista convidado para uma Ch Imperial, no qual degustar todas as iguarias tpicas da culinria do sculo XIX.

     

    Fonte:

    Fazenda Santa Maria

    Texto:

    Adriano Novaes e Sonia Mattos Lucas

    Informaes

    Tel: (24) 2447-2001

    Site: www.hotelarvoredo.com.br

    Clique aqui pra ver algumas fotos

     

     

    Fazenda Ponte alta

    A fazenda Ponte Alta teve como primeiro proprietrio Jos Luiz Gomes, o Baro de Mambucaba, ento grande sesmeiro em Angra dos Reis. Em 1808, o Baro requereu sesmarias nesta regio. Construiu a Fazenda Ponte Alta por volta de 1830, quando comearam a surgir as primeiras fortunas geradas pelo caf no Vale do Paraba. Com a morte do Baro de Mambucaba, em 1855, sua filha, Rosa Luza Gomes herdou a Ponte Alta. Esta por sua vez casou com Antnio Gonalves de Moraes, o Capito Mata Gente, filho do Baro de Pira, grande proprietrio de terras no outro lado do Rio Pira.

    Em 1936, a Ponte Alta foi herdada por Dona Isabel Modesto Leal, neta primognita do Conde Modesto Leal, abastado negociante portugus, que adquiriu em 1903 juntamente com outras 30 propriedades, em uma carteira hipotecria do Banco de Crdito Real do Brasil. Dona Isa (como ficou conhecida) era amiga pessoal do ento Presidente Getlio Vargas, que costumava visitar a Fazenda, tendo passado seus ltimos cinco aniversrios na Ponte Alta. D. Isa construiu a atual sede de pedra no lugar da antiga vivenda da Fazenda. O que se v hoje, desta antiga Empresa Agrcola do Caf, a parte do conjunto de servio das antigas instalaes do caf, incluindo o engenho do caf, o engenho de serra, a senzala, as tulhas e as oficinas, que formavam um quadrado fechado. Por tudo isso, , na regio, o mais representativo conjunto de servio da poca do caf.

    Em 1960, a Fazenda Ponte Alta foi comprada por Nellie Pascoli, empresria do setor de minerao,co-fundadora do Grupo CAEMI. Dona Nellie era apreciadora da arte brasileira e, em especial, da fase histrica do Brasil Colnia e Imprio. Assim, em 1972 ela recupera o antigo moinho de caf da fazenda, num projeto arquitetnico de Jorge de Souza Hui, utilizando mobilirio e peas dos sculos XVIII e XIX. Em 1982, a senhora Nellie Pascoli morre e deixa a Fazenda Ponte Alta como herana para seus sobrinhos, Evelyn e Ricardo Pascoli. Evelyn Pascoly, falecida em janeiro de 2003, foi a grande pioneira do Turismo Cultural no Vale do Paraba, tendo criado o Sarau Histrico, aonde a histria da Fazenda, como parte do contexto geral da histria do Vale e do Brasil, narrada teatralmente, permitindo ao turista um mergulho no passado e uma redescoberta do presente. Diretora Executiva do Instituto PRESERVALE por quatro anos, Secretria de Turismo de Barra do Pira, empresria de sucesso e personalidade carismrica, cativante e alegre, Evelyn Pascoli impulsionou tremendamente o Turismo na regio. Hoje a Fazenda Ponte Alta tem como atividades a pecuria, a criao de cavalos da raa Mangalarga Marchador e o Turismo Cultural e Pedaggico, desenvolvidos na Pousada Fazenda Ponte Alta. 

     

    Fontes:

    Adriano Novaes e Roberto Guio de Souzalima

    Infromaes:

    Tel: (24) 2443-5005 ou 24435159

    Site: www.pontealta.com.br

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    Fazenda So Joo da Prosperidade

     

     

    A histria da Fazenda So Joo da Prosperidade inicia-se no sculo XIX a partir de 1820 1830, quando o caf comea a ser cultivado na regio. Atravs de doaes de sesmarias, Antnio Gonalves de Moraes, o chamado Capito Mata Gente, casado com Rosa Luiza Gomes de Moraes, investe na plantao de caf. Era tambm dono da Fazenda Brao Grande (atual Ibitira), que doou a seu filho Jos Gonalves de Moraes em 1843, conforme escritura passada no Cartrio de Ipiabas.

    Em 1843, ainda segundo escrituras, Antnio Gonalves de Moraes comprou um stio denominado Barra do Pira e, em 1853, construiu uma ponte sobre o rio Pira, dando incio ao povoado de So Benedito, origem da cidade de Barra do Pira. Em 1883, com a inaugurao da Estrada de Ferro Santa Isabel do Rio Preto, que saia de Barra do Pira e ia at a mesma, mais tarde denominada Viao Frrea de Sapucay e posteriormente Rede Mineiro de Viao, passou a existir a estao Prosperidade, que servia para o Rio de Janeiro pela estrada de Ferro Dom Pedro II. A fazenda fazia limite com a Fazenda Floresta, em Ipiabas, de propriedade da Baronesa do Rio Bonito e com a Fazenda Brao Grande. Austero, longo e simples, so os qualificativos mais apropriados para este casaro de um s pavimento, com 950m de rea construda, que possui 10 quartos e 5 sales, alm de outras dependncias, cujas grossas paredes externas so de pedra e as internas de pau-a-pique. Entretanto, a singela arquitetura contrasta, por um lado, com a importncia histrica da Fazenda e, por outro, com a autenticidade e conservao do prdio, fruto louvvel e perseverante trabalho dos atuais proprietrios. Luiz Geraldo Muniz e Magide. Na frente da casa existe uma construo de pedras que provavelmente, se destinou a abrigo das tropas de mulas, que levavam o caf para o Rio de Janeiro.

    Com uma rea de 40 alqueires e tendo como principais atividades a suinocultura, a pecuria de leite e de corte e a fabricao de cachaa. A Fazenda oferece visitas orientadas a grupos de turismo, recebendo grande afluxo de visitantes devido a sua localizao, na Estrada Barra do Pira Conservatria, assim como ao excelente tour que Magide conduz, contendo informaes detalhadas sobre a arquitetura e o modo de vida do sculo XIX no Vale. Magide e Lus Geraldo pertencem ao Instituto PRESERVALE, participando ativamente de nosso Programa de Turismo Cultural.

     

    Fontes:

    Fazenda So Joo da Prosperidade

    Texto:
    Adriano Novaes e Roberto Guio de Souzalima

    Reviso:

    Sonia Mattos Lucas

    Informaes:

    Magide Breves Muniz

    Tel: (24) 2242-31894

    Site: www.seresteiros.com.br/faz_s_joao_prosp.htm

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    Fazenda da Taquara

     

    Quando chegaram de Portugal, o Comendador Joo Pereira da Silva, em companhia de Joaquim Jos Pereira de Faro Futuro Baro do Rio Bonito estabeleceram-se nesta regio da antiga Provncia do Rio de Janeiro (atual Barra do Pira), nos primeiros decnios do sculo XIX. Nesta mesma poca, o caf comeou a ser plantado no Vale do Paraba e o Comendador dedicou-se a cultivar o fruto precioso. Faziam parte das propriedades do Comendador: a fazenda Campo Bom, a fazenda Ipiabas e a fazenda Nova Prosperidade (Taquara), como aparece no inventrio do Comendador, falecido em 1872. O nome Taquara foi dado pelos escravos, devido a abundancia de um bambu fino, encontrado na propriedade, que era assim denominado. A sede foi construda, provavelmente na dcada de 30, em forma de quadriltero com o jardim interno, sob a influncia da arquitetura colonial de Minas Gerais do sculo XVIII.

    A Fazenda da Taquara permanece, ainda hoje, sob o domnio da famlia do Comendador. Com quase dois sculos de existncia, a sede, ainda em perfeito estade de conservao, preserva sua histria, com seus mveis, documentos e retratos originais. A fazenda da Taquara PE de propriedade de Joo Carlos Tadeu Botelho Pereira Streva, descendente direto, j na quinta gerao do Comendador. Outra caracterstica desta propriedade  ser hoje um centro de produo de caf como no sculo passado, alm de desenvolver atividades de granja de frangos e suinocultura. O casal Joo e Ana Maria participa ativamente das iniciativas de Turismo Cultural promovidas pelo Instituto PRESERVALE. A visita guiada a Fazenda compreende um excelente tour pela sede e antiga senzala, bem como degustao de quitutes feitos na propriedade. Atualmente a Fazenda oferece, tambm, almoo tpico para grupos agendados com antecedncia.

     

     

    Fontes:

    Fazenda da Taquara

    Texto:
    Adriano Novaes

    Informaes:

    Magide Breves Muniz

    Tel: (24) 2443-1221 ou (24)2443-1273

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    Fazenda Aliana

     

    A famlia Faro foi pioneira no desbravamento de terras que se situam a margem esquerda do Rio Paraba do Sul, atual municpio de Barra do Pira, outrora municpio de Valena. Foram senhores de vrios sesmarias, oito na margem esquerda e duas na margem direita. O patriarca do poderoso cl foi Joaquim Jos Pereira de Faro, natural de Braga, Portugal, migrado para o Brasil em 1793. No Rio de Janeiro, dedicou-se ao comrcio e ao trfico transatlntico de africanos escravizados. Galgou a Projeo social alcanando o posto de professor na Ordem de Cristo em 13.05.1808 e, novamente, com o mesmo hbito efetivo em 03.05.1819. Foi Cavaleiro Imperial da Ordem do Cruzeiro em 12.10.1828, fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial, Coronel de infantaria reformado e membro da junta administrativa da Caixa de Amortizao. Fez parte da Corte de D. Joo VI e D. Pedro I. Fundador e conselheiro do Montepio Geral, em 1841. Foi agraciado com o ttulo de Baro do Rio Bonito em 06.10.1841.

    Joaquim fundou duas fazendas: So Joaquim da Ipiabas e Sant Anna do Parahyba, ambas no incio do sculo XIX. Casou-se em 1793 no Rio de Janeiro com Anna Rita Darrigue Faro com quem teve nove filhos.

    Desses, quatro estabeleceram-se com fazendas na regio. Entre eles, Joo Pereira Darrigue de Faro, que seguindo os passos do pai galgou grande projeo social na Corte chegando a ocupar a Presidncia da Provncia do Rio de Janeiro. Entre outros cargos de grande destaque, foi o segundo Baro do Rio Bonito. Joo fundou a fazenda Monte Alegre, alm de receber de herana a Fazenda Sant Anna. Outro filho importante do casal Joaquim e Anna Rita foi Luiz Pereira Ferreira de Faro, formado em medicina e casado com sua sobrinha Maria Magdalena de Matos.

    Luis foi senhor de sesmarias sobre-guarda da fazenda Sant1Anna, onde fundou a fazenda Boa Esperana na primeira metade do sculo XIX.

    Em 1861, Luis resolveu  vender sua fazenda Boa Esperana para o sobrinho Jos Pereira de Faro, que mudou o nome desta fazenda para Alliana

    Pelo que consta, Jos adquiriu a alliana j com sua unidade de produo de caf construda, composta de casa de vivenda, terreiros de pedra, engenhos de beneficiamento de caf, tulhas, senzalas, paiis e etc. A partir desta data, Jos inicia obras de modernizao do complexo cafeeiro da fazenda, ampliando cafezais (mais de 700 mil ps), terreiros e melhorias nas edificaes e maquinarias. Um importante prtico em estilo colonial portugus construdo na fachada lateral, em cujo fronto triangular colocada a data do fim da obra 1863.

    Jos Pereira de Faro era tambm senhor da importante fazenda SantAnna onde vivia, herdada do Sogro e tio, o 2 Baro do Rio Bonito.

    Jos Pereira de Faro, nascido a seis de maro de 1832, casou-se no Rio de Janeiro em 1855 com sua prima Francisca Romana Darrigue de Faro com quem teve cinco filhos.

    Homem culto de idias liberais estudou na Europa e com apenas 20 anos foi administrar a fazenda Floresta deeixada pelo pai. Desde ento se ocuou da vida rural voltou-se para interesses do desenvolvimento da localidade de So Benedito de Barra do Pirai. Fez construir nesta localidade a belssima igreja matriz de SantAnna (1881), mas no descuidou de suas propriedades, buscando sempre produzir o melhor caf para exportao, o que se confirmou na Exposio Nacional realizada em 1861, quando recebeu a medalha de ouro e de meno honrosa.

    Na exposio internacional de Londres realizada em 1862, foi agraciado com a medalha de primeira classe, alm de receber diversas menes honrosas. Por esse feito foi agraciado com Ordem da Rosa pelo Imperador D. Pedro II. Em outras exposies, como a de Hamburgo, Altona e Crdoba, tambm obteve os primeiros lugares na confrontao de seus produtos com os de outros pases, como publicado no artigo A Vida Fluminense da Folha Ilustrada 1871. Em 1873, auge da sua projeo social foi agraciado com o ttulo de 3 Baro do Rio Bonito.

    Em 1882, quando D. Pedro II visitou a fazenda de Sant Anna, anotou em seu dirio que se encontra no Museu Imperial:

    ... o sistema de Faro preparar tudo de que precisam as fazendas, at o sabo. O po de trigo bom; mas o de car mais gostoso. Despolpa e leva o caf cuidando de faze-lo para os terreiros por meio de um plano inclinado sobre que corre um carro.Tem ensaiado diversos sistemas de aprontar o cho dos terreiros mais ainda no preferiu nenhum.

    Como progressista que era, defendia a imigrao dos estrangeiros e a instalao de um engenho central para fabricao de acar e lcool em Barra do Pirai, que ainda hoje, guarda como lembrana sua imensa chamin.

    Em 1885, hipotecou todos os seus bens ao Banco do Brasil, enumerando seus mais de 800 escravos. Trs anos mais tarde, a abolio da escravatura o deixou em srias dificuldades econmicas e, pouco depois, seus bens foram sendo executados pelos credores.

    Entre suas propriedades agrcolas podemos citar as fazendas Sant Anna, Alliana e Monte Alegre todas ainda com suas sedes preservadas. O Baro do Rio Bonito faleceu em 1899, com 67 anos, na cidade de Nova Friburgo, na residncia do genro Antonio Clemente Pinto, 2 Baro de So Clemente, casado com sua filha Georgina.

    A fazenda Alliana foi arrematada pelo comendador Jos Joaquim de Frana Junior em 1893, que a vendeu para a firma Ferreira, Borges & Cia em 1897. Em 1912, o casal Otto Frederico e Dra Fernanda Delboung Raulino adquiriu a propriedade, que permaneceu durante mais de setenta anos em posse dessa famlia.  Os herdeiros de Fernanda venderam a Alliana a Sra. Carmem Simes Alves de Lima, permanecendo em sua famlia at 1995, quando foi ento adquirida pelos Rabello.

    A fazenda Alliana no foi exatamente a sede principal da famlia Faro, mas foi, sem duvida nenhuma a segunda mais importante.

    Ainda hoje, os mesmos terreiros de secar caf, construdos com lajes de pedra na fazenda Alliana, impressionam pela vastido. O estilo colonial portugus da fachada da fazenda peculiar e revela um gosto simples, porm, original, o que a distingue de todas as sedes erguidas no Vale do Caf. Suas vrias edificaes anexas, como o enorme engenho de beneficiamento, tulhas e as runas da antiga enfermaria, nos do a noo da vida movimentada de seus proprietrios e de seus mais de 800 escravos e empregados

     

     

    Fontes e Texto:
    Adriano Novaes

    Informaes:

    OBS: A Fazenda est em restauro, e podem ser agendadas visitas tcnicas sob consulta.

    Endereo: Estrada de Barra do Pira a Valena

    Contato: Alberto Machado

    Tel: (24) 2442-0669

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    Rio das Flores

     

    Fazenda Unio

     

    A sede da Fazenda Unio um exemplar de propriedade rural do ciclo cafeeiro. Na opulncia do meio produtivo rural, as casa tinha um porte avantajado, dotadas de importncia arquitetnica e muitos cmodos, de volume e imponncia maior do que se imagina para uma residncia apenas familiar. Podemos encontrar outras casas grandes do gnero ao longo do Vale do Paraba, apontando claramente para uma certa tendncia a excentricidade e por vezes at ao exibicionismo dos ento, Bares do Caf.

    A histria da Fazenda Unio inicia-se em 1802, quando Jos Amaral obteve por concesso a Sesmaria do Paraso. Ficando durante onze anos sem condies para explorar as terras, resolve vend-las para Joo Pereira Nunes em 1813, que tambm no produziu, no beneficiou nem plantou nada em seus campos.

    Em 1814, o Capito Bernardo Vieira e sua esposa Dona Escolstica Maria de Jesus, compraram estas terras sem produo alguma e inexploradas, o casal ento deu o nome de Fazenda do Paraso a propriedade recm adquirida.

    Com o falecimento do Capito Bernardo Vieira em 1838, as terras da Sesmaria foram divididas em sete partes, dando origem as Fazendas Unio, Esperana, Sapucaia, So Luis, So Policarpo, Divisa e Sossego.

    Desta partilha de bens entre herdeiros, coube a Jos Vieira Machado e sua esposa Dona Lina Laudegria Vieira e Souza as terras em que atualmente se encontra a Fazenda Unio. Em 05 de setembro de 1853 a propriedade foi vendida para Antnio Pereira da Fonseca Jnior, que adquire tambm a Fazenda Esperana.

    O novo proprietrio recebe a escritura com o nome de Saudades do Rio.

    Em 18 de setembro de 1859, a Fazenda retoma o seu antigo nome de Unio, atravs do Baro e, mais tarde, de Visconde do Rio Preto, sendo esse o seu mais prspero e ilustre proprietrio. Por causa de sua localizao privilegiada, situada ao longo do caminho para Minas Gerais, a fazenda tornou-se passagem e pouso obrigatrio para viajantes, impondo-se como uma das mais concorridas, da ento recm fundada, freguesia de Santa Teresa d Valena. Filho do Visconde do Rio Preto, o Baro Domingos Custdio Guimares Filho, recebe em 1867 a Fazenda Unio como dote de csamento, tornando-se proprietrio, juntamente com Dona Maria Balbina de Arajo, sua esposa posteriormente, em 1873, o mdico Camilo Bernadino Fraga e sua esposa Dona Luiza Vieira da Cunha Fraga, tornaram-se seus proprietrios. A abolio da Escravatura em 1888, acelerou o processo de decadncia do ciclo e das fazendas de caf.

    Em 1901, a agora viva Dona Luiza, enfrentando graves dificuldades financeiras, v-se obrigada a hipotecar a fazenda a Joo Alves Montes. Em meados do ano de 1918, o Senhor Melchiades Augusto de hipotecar a fazenda a Joo Alves Montes. Em meados do ano de 1918, o Senhor Melchiades Augusto de Mouro Matos, que havia sido padre e abandonou o celibato para desposar Dona Olga Morgante Ferreira, compra a propriedade. Vendendo-a quatro anos mais tarde, em 1922, para Jos Rodrigues de Almeida e sua esposa Dona Prudncia. O casal resolve ento mudar a atividade produtiva da fazenda para a criao do gado leiteiro, que em todo o Vale do Paraba, tornaram-se a atividade econmica principal.

    A Fazenda Unio permaneceu com os herdeiros de Jos Rodrigues de Alemeida at 1972, quando foi vendida para Vivente Crispin de Oliveira e Dona Filomena Faria de Oliveira. Adquirida por Joo Manoel dos Reis Filho em 1992, o prdio centenrio foi revitalizado e orientado a atender aos requisitos do conforto moderno, foram recuperados o telhado, as paredes de pau a pique, os pisos e toda estrutura em madeira e at os seus pores. O entorno da imponente sede recebeu um elaborado cuidado paisagstico, onde se procurou preservar as arvorem centenrias e as preferncias botnicas do requintado perodo colonial. O mobilirio foi ento acrescido de preciosas peas de poca, recuperadas e adquiridas em leiles, antiqurios e incansveis inseres pela regio do vale. Em um trabalho feito ao longo dos anos, todo o seu interior recebeu tratamento arquitetnico e artstico compatvel a poca colonial.

    Mais tarde, Joo Manoel casa-se com Dona Rosalina Monteiro dos Reis e, no sentido de preservar e divulgar o estilo de vida e os costumes do nosso perodo colonial, sobretudo durante o ciclo do caf no Vale do Rio Paraba, o casal vem preservando as tradies, e para oferecer a hospitalidade e o provincianismo daquela poca, transformaram a Fazenda Unio em espao de cultura e lazer.

     

     

     

    Fontes e Texto:

    Ana Helena Ribeiro Telles Santos

    Informaes:

    Joo Reis

    Tel: (24) 2453-2940 ou 9845-7351

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    Fazenda Santo Antnio

     

    Fazenda Santo Antonio uma fazenda do Ciclo do Caf, de 1842, situada no interior do estado do Rio de Janeiro. Hoje, totalmente reformada com mobilirio de poca, decorao de bom gosto e uma hospedagem requintada, que permite voltar a uma bela poca revisitada do Vale do Caf, resgatando a histria da Fazenda e da regio.

    Alm de agradveis passeios ecolgicos, histricos e do descanso da piscina, pode desfrutar tambm de passeios a cavalo, pesca, cachoeiras, sauna, sala de ginstica, sinuca e agendamos visitas a outras fazendas histricas da regio. A fazenda tem uma apresentao do Sarau Histrico na noite do jantar do Bares para seus hospedes. Mediante agendamento promovemos uma seresta a volta da fogueira em frente sede.

    Tudo isso com boa gastronomia e servio.

     

    Informaes:

    Comrcio Sebastio Lacerda, RJ 115, Rio das Flores - RJ

    Tel: (24) 2488-2148, (24) 2448-2149.

    Cel: (21)9889-7017

    Email: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

    Artur Pereira

    Fax: (24) 2448-2149

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    Fazenda do Parazo

     

    Atualmente a Fazenda Parazo est na mini-srie Um s corao, da TV Globo.

    A jia de Valena como dizem os historiadores, pertencia na poca do caf a freguesia valenciana de Santa Thereza, famosa pela suas condies favorveis ao cultivo da rubicea, pelas importantes fazendas com seus magnficos solares rurais e pela maior concentrao de fazendeiros nobilitados (bares, viscondes e condes) de toda a rica e grande regio de serra acima da cidade dos marqueses.

    O nome original dessa fazenda era Flores do Parazo, provavelmente em homenagem ao Rio da Flores que corre em suas terras e pouco adiante desgua no Rio Preto, e tambm, por ser mesmo um paraso.

    O conjunto agrcola de grande porte -  do qual considervel parte ainda hoje se v foi construdo por Domingos Custdio Guimares, 1 baro e depois visconde do Rio Preto e era a sede de seu imprio cafeeiro.

    Ao morrer deixou cerca de 15 grandes propriedades agrcolas na Provncias Fluminense e Mineira, alm de casas, palacetes urbanos e inmeros outros bens (vale a pena conhecer, em Valena, o palacete dele, hoje a Faculdade de Economia, e o mausolu da famlia no cemitrio do Riachuelo).

    A residncia da Fazenda do Paraso, um solar de dois andares de inspirao neoclssica em forma de U, foi construdo solto no meio do terreno. Tal construo ricamente ornamentada por fora com obras de cantaria, ferro e madeira e por dentro com paisagens, pinturas trompe loeil e faux marbre do pintor espanhol Jos Maria Villaronga, papeis de parede franceses, ricos trabalhos de marcenaria, em especial, nos pisos, alm de outros em variados tipos de ladrilhos hidrulicos, etc. O interior, ricamente decorado com moveis, estatuetas, lustres e espelhos tem, para arrematar, uma capela interna que ocupa a altura dos dois andares e parte considervel de profundidade do casaro na sua ala esquerda.

    Nesse conjunto agrcola e nesse ambiente requintado, ambos particularmente enfeitados e engalanados, no dia 7 de setembro de 1868, data em que o jovem Imprio do Brasil completava 46 anos de idade, foi comemorada a inaugurao da ligao rodoviria de Manoel Duarte com a estrada Unio e Industria. A data foi propositadamente escolhida pois coincidia com o dia do aniversrio do visconde do Rio Preto, que faria 66 anos, posto ter sido ele o grande incentivador da ligao mencionada e que facilitaria, em muito, o escoamento d caf desta parte da regio valenciana e das fazendas dele, naturalmente. Para tanto, foi montada uma monumental festa para comemorar trs eventos. Aconteceu o imprevisto. Em meio a grande festa quando, sob aplausos, o visconde do Rio Preto adentrava a rica sala de entrada do solar, ele veio a falecer de fulminante ataque cardaco nos braos da viscondessa e amparado por parentes e por personalidades como Mariano Procpio Ferreira Lage engenheiro, construtor da estrada e figura de proa da festa, Jos Francisco de Mesquita -  o marques de Bonfim, ex-scio e amigo particular do aniversariante, e na presena de um sem nmero de ilustres convidados de vrios locais da Provncia Fluminense, em particular de Valena e da Corte.

    Paraso, ainda guardando muito do esplendor do passado quando, certamente, era a mais rica e suntuosa casa sede do caf do Vale do Rio Preto e aps passar por outros proprietrios, foi vendida em 1912 ao cel. Alexandre Belfort Arantes descendentes de tradicionais troncos mineiros, em cuja famlia ainda se encontra sendo hoje administrada por um bisneto dele, Paulo Roberto Belfort Carneiro da Silva.

     

    Fontes e Texto:

    Roberto Guio de Souza Lima

    Informaes:

    Simone Botelho ou Paulo Roberto Belfort

    Tel: (24) 2458-0093

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    Fazenda Campos Eliseos

     

    Uma Fazenda Histrica que hospeda. A Campos Elseos no uma Pousada nem um Hotel Fazenda uma verdadeira Fazenda Histrica centenria que hospeda no mesmo estilo que na Europa, e agora no mundo inteiro, conhecido como Turismo de Habitao. Na Campos Elseos os hospedes so recebidos com amizade e com certeza podero se sentir na fazenda como na prpria casa de campo.

    Uma sede antiga, fundada pelo Visconde de Ipiabas em 1851, hoje reformada com respeito ao estilo da poca, acrescentando-se o charme Italiano.

    Disponibilidade de 6 apartamentos para um total de 22 camas. Todos os apartamentos possuem banheiro interno.

    Diria com caf da manha, penso completa ou meia penso. Salo de TV, restaurante com fogo a lenha, som.

    Comida italiana e mineira, com alguns pratos internacionais.

    Na fazenda: Cachaa aromatizada Sinhazinha, doce de caf Moreninho e Laranjas do Engenho, Mel.

    Piscina, cavalos para passeios com acompanhante, caminhadas, trilhas ecolgicas, audes, cachoeira.

    Criao de ces das raas Golden Retrievel e Pug com o sufixo Highland of Gold, gado, cabras.

     

    Informaes:

    Deborah Jappelli ou Luciana Jappelli

    Tel: (24) 2488-2014 ou 2488-2044

    Site: www.turismovaledocafe.blogspot.com/2010/02/fazenda-campos-eliseos-rio-das-flores.html

     

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    Paty dos Alferes

     

    Fazenda Monte Alegre

     

     

    A histria da Fazenda Monte Alegre est fortemente ligada a de seu mais importante e ilustre morador, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, o Baro de Paty dos Alferes, membro do Cl dos Werneck, cl este que dominou por quase 200 anos a maior parte das terras na Serra Acima, como era conhecida esta parte da ento Provncia Fluminense.

    No foi o Baro quem construiu Monte Alegre, porm, certo que desde o ano de 1855 o Baro residiu nesta fazenda, fazendo dela seu centro de negcios e de documentao, arquivos, etc. Das vrias fazendas que possua (sete, com centenas de escravos) era a melhor aparelhada, melhor localizada, possuidora do melhor quadro de profissionais especializados (enfermeiros, sapateiros, lavadeiras, etc. S carpinteiro haviam 10) e a que possua melhores instalaes. A Monte alegre chegou a abrigar 200 escravos por volta 1859.

    Uma grande reforma nesta fazenda ocorreu por volta de 1861 ano que vamos ver em destaque na fachada - por uma razo curiosa. O imperador Pedro II veio de Petrpolis a Paty do Alferes de surpresa pela picada do Paty hoje Estrada do Imperador em 1858, e foi recepcionado pelo Baro de Paty em sua casa no centro de Paty (posteriormente transformada em hotel, esta casa no mais existe, foi demolida). Apesar dos insistentes apelos feitos ao Imperador para que pernoitasse em Paty, tudo indica que outros compromissos o obrigaram a seguir viagem, frustrando seus anfitries, a despeito das timas impresses levadas por Pedro II.

    Assim mesmo decidiu o Baro promover grande reforma em sua fazenda Monte Alegre, para coloc-lo a altura de visitantes ilustre como o Imperador. E assim fez. Lamentavelmente, no mesmo ano da concluso das reformas 1861 morreria o Baro de Paty aqui mesmo, na Monte Alegre, em 22 de novembro , vitima de congesto cerebral (hoje mais conhecido como AVC), mal que j o afligia h algum tempo.

    Monte Alegre possua em seus melhores tempos: casa de moradia com oratrio prprio, moinho, engenho de farinha, 59 lances de senzala, piles, serraria, olaria, forno apetrechado, 2 lances de casa para guardar carros, 10 lances de armazns de caf e tulhas, um canavial, cafezais, 9 enfermarias para escravos, etc.

    Em seu interior havia moblia de mognos, jacarand, cedro e peroba, um belssimo piano,servios de loua da ndia incluindo aparelhos de porcelana com o braso da famlia, alm de outros objetos de luxo.

    Dispunha o Baro para seu transporte, dos familiares e amigos mais ntimos (ou hspedes ilustres) de 5 carros, 2 carretes, 2 carroas, 1 carro de 4 rodas e 2 liteiras, alm de adequada estrebaria com cavalos de raa para suprir tudo isto com trao animal.

    Com a morte do Baro, sua esposa Maria Isabel, apesar da inexperincia, assumiu seus negcios com mo firme at sua morte, em 1866. Por herana da Baronesa de Paty, coube a Fazenda a sua filha Maria Isabel Peixoto de Lacerda Werneck de Castro, futura Viscondessa de Arcozelo, em funo de seu casamento com Joaquim Teixeira de Castro, Visconde de mesmo ttulo, a partir de 1874.

    A Viscondessa manteve um interessantssimo dirio por ela mesmo manuscrito o que era relativamente raro, na poca, mulher alfabetizada que d uma boa viso do dia a dia em Monte Alegre: as cozinheiras dos escravos levantavam-se antes mesmo do nascer do sol para acender o fogo sob caldeires de ferro apoiados em imensos foges de lenha. O feitor ou um dos capatazes ento se encaminhava para o sino de bronze, a fim de despertar os negros acomodados na senzala. Havia sempre um sistema rgido a seguir: nos dormitrios mais espaosos ficavam os casais e em quartos comuns drmiam os solteiros, tanto homens quanto mulheres.

    Alertados pelo sino, levantavam-se imediatamente de suas tarimbas de tbuas e cada uma pegava sua ferramenta pendurada nos beirais da senzala: enxada, machado, foice e outras.

    Da senzala rumavam para a cozinha prpria do escravos, onde ento recebiam a primeira rao do dia, constituda por um bom caf bem encorpado, um bom pedao de po, pedaos de rapadura e um prato de angu. Enquanto isto, no interior da casa grande, os escravos de porta adentro encarregavam-se de arrumar a mesa dos senhores e tratavam de apagar as velas ou os pesados lampies de azeite, ajeitando tudo e limpando para servir a primeira refeio da famlia.

    O dia transcorria de maneira lerda, com as escravas cuidando do asseio dos quartos e salas, servindo caf e ch para a famlia ou eventuais visitantes, enquanto os negros e os feitores, supervisionados pelas cavalgadas de inspeo de surpresa dos patres, tratavam da lavoura e dos animais.

    J a noite, a famlia do fazendeiro recolhia-se bem cedo -  no caso de no aparecer visitante sempre acompanhada atentamente pelas mucamas. Essas se incumbiam de levar gua morna para lavar os ps cansados dos senhores que chegavam exaustos das lavouras, providenciando possvel banho de assento para as senhoras e sinhazinhas.

    As mesmas cabiam tambm distribuir pelos vrios quartos os vaso sanitrios para uso ds familiares, recolhendo-os na  manha seguinte para o despejo, to logo todos se retirassem para o trabalho.

    Depois de todas as providencias noturnas, as mucamas e demais escravos encarregados de proporcionar o conforto dos patres (como fechar janelas e cerrar cortinas dos vrios cmodos e sales, coloca chinelo aos ps da cama, deixar sobre as cmodas jarros com gua ao lado de copos, etc.) pediam a beno aos senhores e senhoras, despejavam todas as luzes e buscavam um repouso em seus humildes dormitrios ou no cantinho escuro das senzalas.

    Porm, apesar do fausto vivido por alguma (poucas) geraes do cl dos Werneck na Monte Alegre, a histria prosseguiu implacvel. Por fora dos vrios fatores econmicos, como principalmente o esgotamento da terra para o plantio de caf um virtude de tratos culturais inadequados e da abolio da escravatura, os Werneck, empobrecidos, tiveram de deixar a fazenda em 1911. Vendeu-se a Viscondessa de Arcozelo, filha do Baro de Paty, j viva do Visconde, a um membro de famlia aparentada, Joaquim Ribeiro de Avelar.

    A Viscondessa teve de mudar-se para uma pequena fazenda, morando, segundo depoimento de seus prprios parentes, numa casa meio de colono onde veio  a falecer, com enterro de pobre, em carro de boi, seguido por cortejos de ex-escravos descalos e maltrapilhos. Consta at que o custeio do funeral foi feito pela famlia zeladora do cemitrio, j que os filhos da falecida j estavam to pobres que no tinham dinheiro

    Da em diante a Monte Alegre foi fragmentada, tendo a casa passado por vrias, como Sabino de Rebertis, Antonio Faustino Porto e at mesmo uma empresa que a transformou em hotel e cassino.

    Finalmente, chegou s mos de seus atuais proprietrios, o engenheiro e escultor Gabriel Fonseca e famlia, que a compraram em runas e por preo irrisrio. Levaram 6 anos para restaur-la, com uma equipe de 3 artesos, com enormes dificuldades para seguir os padres originais, inclusive do paisagismo do artista francs Glaziou nos jardins.

    Mais tarde, seguindo o projeto bsico dos paisagistas Jos Tabacow e Cntia Chamas, os atuais jardins foram sendo implantados. Atualmente os jardins e as construes coloniais totalmente restauradas abrigam o Parque de Esculturas Lcia Miguel Pereira. Alm das esculturas do proprietrio, o escultor Gabriel Fonseca, o Parque tambm expe trabalhos de Maria Martins, Agostinelli, ngelo de Aquino e Joo Goldberg dentre outros renomados artistas.

    Texto e Pesquisa:

    Milton Cabral

    Fontes:

    1 Sebastio Deister Serra do Tingu, 300 anos de Conquistas ScXVII ao Sc. XVII ao Sc.

    2 Antigas Fazendas de Caf da Provncia Fluminense 1980 Nova Fronteira.

    3 Fazendas Solares da Regio Cafeeira do Brasil Imperial 1986 Nova Fronteira.

    4 Vassouras de Ontem Compilao Greenhalgh Faria Braga.

    5 Notas para a Histria de Vila de Paty do Alferes Frei Aurlio Stulzer 1994.

    6 No tempo dos Bares Maria Werneck de Castro Ed. Bem-te-vi

    7 Bares e escravido Eduardo Silva Nova Fronteira

    Informaes:

    Endereo: Av. Beira Rio, 7 Paty do Alferes RJ CEP: 26950-000

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    Parque de Esculturas da Fazenda Monte Alegre: www.gabrielsculptor.com

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    Fazenda Pao Grande

     

    So das mais antigas as referencias e registros das terras onde est situada a fazenda Po Grande. Ao contrrio da maioria das fazendas de caf, Po Grande j existia muito antes do ciclo, dedicada principalmente a produo de acar. A ocupao, ainda no final dos anos seiscentos, teve origem na abertura da mais importante estrada do Brasil colonial, o lendrio Caminho Novo de Minas Gerais, obra de Garcia Rodrigues Paes e Pedro de Moraes Raposo.

    O Visconde de Asseca, Martim Correa de S, famlia dos maiores latifundirios do Rio de Janeiro durante dois sculos, foi seu mais antigo proprietrio. Mas o arquivo referente a concesso de sesmarias revela a presena na fazenda, em 1748, dos Gomes Ribeiro, Francisco e Manoel. Essa mesma famlia seria dona de Po Grande at o sculo XX.

    A localizao da fazenda a tornava passagem e pouso para viajantes.

    Auguste Saint-Hilaire, o sbio naturalista Frances, e Tiradentes, precursor e mrtir da independncia do Brasil, l estiveram. Os acontecimentos que culminaram com o enforcamento de Tiradentes por ordem da rainha de Portugal D. Maria I tiveram influencia no rumo da historia de Po Grande, pois os envolvimentos de Antonio Avelar com o heri e as presses que sofreu trouxeram-lhe grandes prejuzos financeiros, como meio de escapar da devassa, e ocasionaram sua morte em 1794. O clima hostil obrigou a famlia a se retirar para a fazenda, e em 1797 Luis Gomes Ribeiro, genro e herdeiro de Antonio, assume os negcios junto com a viva, no sem antes adquirir as partes dos scios. Jos Rodrigues Cruz se retira para fundar a vizinha fazenda Ub, segundo depoimento de Saint-Hilare habitada por ndios selvagens.

    Luiz Ribeiro quem manda construir a grande casa que hoje surpreende e encanta o turista por sua grandiosidade arquitetnica e beleza plstica.

    Ribeiro permanece na fazenda at 1810, quando desavenas com sua sogra o levam a retirar-se para a fazenda Guaribu, onde iria residir at a morte, em 1839. Joaquim Ribeiro de Avelar, futuro Baro de Capivari, sucede o cunhado Luiz e torna-se senhor de Po grande na fase urea do caf. Nem Capivari nem seus irmos e irms se casariam, o que no impediu o baro de reconhecer um filho natural, dar-lhe o seu nome, educ-lo e faz-lo herdeiro nico e sucessor. Foi ele o segundo Joaquim Ribeiro de Avelar, que mais tarde receberia o titulo de Visconde de Ub. Sua esposa, Mariana, filha do mordomo do Pao Imperial Jos Maria Velho da Silva, introduz ento na fazenda todo o requinte e conforto na poca exigidos nas casas ricas, sendo desta fase a instalao de banheiros dentro do solar, bem como a maior parte das alfaias. O casaro recheado de mveis, quadros, tapetes, louas e cortinas era famoso tambm por sua prataria.

    Falecendo o Visconde de Ub em 1888 e com as dificuldades decorrentes do final do ciclo, Po Grande entra em franca decadncia, que a viva viscondessa no conseguiu evitar.

    Depois dos Ribeiro de Avelar e com sua rea reduzida a menos de 20 alqueires geomtricos, a fazenda pertenceu ao colecionador de arte Plcido Gutierrez e em seguida a empresa Lily de Carvalho Marinho.

    Na dcada de 1980, o empresrio Walter Soares Ribas, adquirindo-a, empregou os recursos necessrios e o melhor de seus esforos para, num grande trabalho de restaurao, assessorado por equipe tcnica, devolver a Po Grande o seu antigo resplendor.

    O telhado e o espao do velho engenho abrigam as baias para a criao de cavalos manga-larga marchador, principal atividade da fazenda, e um moderno estbulo para vacas leiteiras foi construdo aproveitando parte de antigas tulhas. Po Grande destaca-se pelos imponentes trabalhos de cantaria, sobretudo os de formato redondo com que so feitas as fundaes das vrias dependncias externas.

    Distando seis quilmetros do municpio de Avelar, no Estado do Rio, em estrada pavimentada, a fazenda Po Grande, renovada e revivida, est entre as mais extraordinrias casas rurais do Brasil.

     

    Texto:

    Parte de Fernando Tasso Fragosso Pires extrado do livro Fazendas: As Grandes Casas Rurais do Brasil, editado por Salamandra Consultoria Editorial Ltda., 1995.

    Informaes:

    Endereo: RJ 125 Estrada Fazenda Pao Grande n 780 Paty do alferes RJ

    Contato: Walter Ribas

    Tel: (21) 2536-2309

    Site: www.fazendapaogrande.com.br

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    Fazenda Santa Ceclia

     

    A Fazenda Santa Ceclia uma fazenda anterior ao ciclo do caf; foi construda em 1770 em estilo colonial sendo a segunda sede da Fazenda da Piedade. No apogeu do Ciclo do Caf, por volta  de 1840, seu proprietrio, o Baro de Paty de Alferes, herdeiro dos construtores, realizou uma reforma alternando seu estilo para o neo-clssico. Localizada no Distrito de Vera Cruz, municpio de Miguel Pereira, possui em seus jardins uma capela projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer com um painel dedicado a Santa Ceclia desenhado por ele em seu interior. Local de beleza cnica nica, possui 19 sutes para hospedagem na modalidade do Turismo de Habitao.

    A Fazenda situa-se a 09 Km da sede do municpio de Miguel Pereira, sendo 06 Km percorridos em estrada de terra. No distrito de Vera Cruz  est localizada a Ponte Ferroviria Paulo de Frontin, a nica ponte ferroviria em curva da Amrica Latina e tambm possui vrias cachoeiras, locais para caminhadas, trilhas, a queda dagua do roncador; o prosseguimento da estrada da acesso ao Vale das Videiras e Vale das Princesas pelo Caminho do Imperador.

    Dispomos de piscina, aude para pescaria, horta orgnica, parquinho infantil, rio e cachoeiras propcias para banho, passeios a cavalo, curral e nas instalaes da Fazenda temos salo de jogos com bilhar e me de carteado, sala de leitura e restaurante com pratos da culinria mineira, doces e queijos produzidos na Fazenda e um tira gosto exclusivo: o Pastel de Angu.

     

    Servios oferecidos

    Visitao, hospedagem e Day-use

    Trabalhamos preferencialmente com grupos e apenas com agendamento prvio.

    Informaes:

    Endereo: Estrada Tigipi 656 Vera Cruz Miguel Pereira

    Contato e telefone para reservas:

    Fazenda Santa Cec Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

    Tel: (24) 2484-8283

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    Fazenda So Joo da Barra

     

    So Joo da Barra, antiga fazenda do ciclo do caf, cerca de 1830, tendo sido recm-restaurada. Expe gravuras e documentos originais do sculo XIX.

     

    Informaes:

    Endereo: Estrada do Bonfim (Antiga estrada Morro Azul-Arcdia) Miguel Pereira

    Servios: Agendamento sob consulta. Ao final da visitao ser servido um lanche.

    Contato:

    Rogrio ou Tatiana

    Tel: (21) 2239-4823

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    Fazenda Boa Esperana

     

    Situada em Avelar, Municpio de Paty do Alferes, no Estado do Rio de Janeiro, a Ba Esperana era originalmente parte da sesmaria da Fazenda Pau Grande, da qual um dos donatrios era Antonio Ribeiro de Avellar, casado com Antonia da Conceio Avellar e, por morte desta em 1821, coube por herana a sua filha Roza do Bonsucesso Mascarenhas Salter, casada com Jos Maria Salter de Mendona.

    Como a famlia seguia vivendo em Pau Grande nesta rea estabeleceu-se uma estrutura para a cultura do caf constando de terreiros, moinhos, senzalas, cozinha, enfermaria dos escravos onde hoje a casa de vivenda com algumas adaptaes e acrscimos.

    Por volta de 1850, foi construda uma sede, quando a famlia Mascarenhas Salter veio viver na Ba Esperana, e em torno de 1907, esta foi demolida por Dr. Antonio Ribeiro Velho de Avellar e com o material da demolio foram construdas as primeiras casas da Vila de Avelar.

    Embora tivessem vrios filhos, os Mascarenhas Salter no deixaram descendentes e a propriedade voltou para os Ribeiro de Avellar, filhos do Visconde de Ub.

    Como se pode notar a Ba Esperana pertenceu mesma famlia por 130 anos at que em 1952, por herana de D. Mariana Albuquerque de Avellar, cujos  4 filhos j haviam falecido e sem descendentes, passou para as mos de Cid e Yvone Barros Franco e filhos, que na verdade foram a famlia de D. Mariana nos 15 anos da sua velhice.

    Ainda continua a pertencer a famlia Barros Franco que, como sucessores da histria dos Ribeiro de Avellar, preserva o belssimo acervo em mobilirio, porcelanas, documentos e objetos pertencentes a essa famlia.

    Atualmente a fazenda desenvolve criao de gado, plantao de eucalipto, produo de doces caseiros e vem incrementando o turismo histrico do Vale do Paraba, abrindo suas portas visitao, guiada e narrada pela famlia. 

     

    Informaes:

    Estrada Arlindo Jos Lisboa, 300 Avelar Municpio de Paty do Alferes RJ

    CEP: 26980-970

    Tel: (24) 2487-1123
    Cel: (21) 9636-1603 / 8116-9161

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    Valena

    Fazenda Vista Alegre

     

    Francisco Martins Pimentel, aoreano da Ilha So Miguel, j antes de 1829 estava estabelecido em Valena, nas terras que viriam a integrar a Fazenda Vista Alegre. No final dos anos 40, adquiriu a Fazenda santa Terezinha (cuja sede original desapareceu) e l faleceu em 1852. Esta provavelmente, a data em que um de seus dez filhos, Joaquim Gomes Pimentel, passou a ocupar a Sede de Vista Alegre, imprimindo sua marca na histria da Fazenda, e de toda a regio, atravs de notveis atuaes pioneiras no campo das artes da cultura e do desenvolvimento scio-econmico.

    Alcanando em 24 de outubro a posio de Alferes, Joaquim Pimentel recebe, em 28 de Fevereiro de 1864, de D. Lus El Rey de Portugal, o ttulo de Visconde de Pimentel. No ano seguinte, registra o primeiro mapa de sua propriedade, bem como de seus vizinhos e parentes, abrangendo uma rea que ocuparia de So Francisco a Esteves, aprofundando-se pela Serra da Concrdia (antiga Serra de So Manuel) at o lugar aonde existe hoje a Fazenda da Conquista.

    Em 16 de junho de 1869, torna-se Capito da Guarda Nacional, j ento consagrado pelo dinamismo e pela inovao de mtodos e tcnicas de produo rural e na vida social da Fazenda Vista Alegre. Clebre  em sua poca pelo convvio com as artes, o Visconde de Pimentel frequentemente promovia saraus na Fazenda, para onde trazia apresentaes memorveis de artistas e msicos famosos, como por exemplo o pianista Gotshalk, em 21 de agosto de 1869.

    O Visconde criou tambm sua prpria banda de msica, constituda por 27 escravos libertos. A Banda de Msica da Fazenda Vista Alegre costumava apresentar-se em todas as ocasies festivas da regio. Aprendia-se na Fazenda, alm de msica, as artes teatrais e a religio. A escola de Ingnuos, como ficou conhecida, foi a primeira no pas a alfabetizar filhos de escravos e crianas pobres das redondezas. A Casa da Msica, local onde funcionava a escola, existe ainda, prximo sede.

    As inovaes implantadas na Fazenda Vista Alegre motivaram uma histrica visita do Conde DEu a Valena, de 16 a 18 de setembro de 1876, na qual o Conde teve a oportunidade de  participar de animados saraus, visitas s instalaes das propriedades de Pimentel, cavalgadas e passeios no lago que existia aonde hoje o Parque de Exposies de Valena, em cuja nascente mineral refrescou-se.

    Embora tenha atingido fama e grande prestgio em vida, o Visconde de Pimentel Faleceu sem ter deixado herdeiros e j com seus bens inteiramente hipotecados sua irm, Maria Francisca, viva do Comendador Manoel Esteves, dono de casa comissria de caf. Esta, por sua vez, aps retirar todos os bens mveis, documentos, quadros e objetos veio a entregar a Vista Alegre em pagamentos de suas prprias dvidas ao Banco do Brasil, por ocasio da derrocada da economia cafeeira na Velha Provncia, a partir da Abolio. A Fazenda Vista Alegre adquirida em leilo pela famlia do Baro de Oliveira Castro em 1901, juntamente com as vizinhas Chacrinha e Campo Alegre.

    Em 1912 chegam Vista Alegre, trazidos pela mo da famlia Oliveira Castro, os  primeiros imigrantes dinamarqueses do Vale, que vieram a fundar, na Fazenda, a primeira indstria de queijos de tecnologia europeia do estado, os famosos Laticnios Dana. A famlia Nielssen residiu na Vista Alegre por cerca de trinta anos, tendo desenvolvido a aprimorado queijos de qualidades variadas, at transferirem-se para o sul de Minas, aonde vieram a multiplicar indstrias e marcar de laticnios diversos.

    A Fazenda Vista Alegre pertence, desde 1980, a Delio e Clair de Mattos Santos, que a adquiriram de Eduardo Soares Sampaio, herdeiro indireto do Baro de Oliveira Castro. O Dr. Delio Mattos advogado e empresrio, Cnsul Honorrio da Repblica de Malta, Fundador e Conselheiro do Instituto Preservale. Sua esposa Clair de Mattos Santos escritora e editora, tendo escrito,  dentre outras obras de fico, romance e teatro, o livro Gros Vermelhos do Vale, que narra a saga do caf ambientada na Fazenda Vista Alegre.

    Aps haver desenvolvido tambm a produo de laticnios, hoje desativada, a Fazenda Vista Alegre dedica-se hoje criao de gado Canchim, e s atividades de Turismo Cultural. Participando do programa de Visitao Orientada do Instituto PRESERVALE, destinado a promover o conhecimento e a pesquisa dos Patrimnios Histricos e Culturais do Vale do Paraba, a Vista Alegre mantm a tradio de um importante legado histrico, oferecendo a todos os que a visitam um pedao da memria nacional.

     

    Texto e Pesquisa:

    Sonia Maria Mattos Lucas

    Informaes:

    Sonia Maria Mattos Lucas

    Tel: (24)2453-5116

    Cel: (24) 9831-9627 / (21) 8118-0007

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    Fazenda Santo Antnio do Paiol

     

    A Fazenda Santo Antnio foi aberta em terras da sesmarias concedida em 1814, por proviso a Joo Soares Pinho, que j havia estabelecido nesta fazenda desde 1807, quando estas ainda eram consideradas terras devolutas. Alguns anos depois, foram adquiridas por Francisco Martins Pimentel, que j estaria estabelecido na vizinha sesmaria de Santa Teresa.
    Em 1850, casava-se, no oratrio de Santa Teresa, com Francisca, a filha de Pimentel, Manoel Antnio Esteves, recebendo como dote a fazenda Santo Antnio do Paiol. Seria a segunda e a mais prspera fase daquele estabelecimento cafeeiro. Logo aps o casamento, morre o sogro e Esteves, com a fortuna aumentada, manda construir nova sede, em frente pioneira Santa Teresa. Terminada em 1852, a casa foi dotada com todo os requisitos exigidos de uma fazenda de caf d ciclo.
    Desenvolvendo profcua atividade, /Esteves ampliou os cafezais, adquirindo ou abrindo novas fazendas, tais como So Manuel, Ribeiro, Santa Catarina, So Francisco, Nazar e Boa Vista. Nelas chegou a ter mais de seiscentos escravos. Eliminando intermedirios, ele mesmo negociava a produo, operando no rio de Janeiro e em Santos com a firma exportadora Esteves & Filhos, e j era grande fazendeiro, tornar-se-ia grande comissrio de caf. Como uma das mais proeminentes figuras do vale, Esteves se empenhou nas gestes que viabilizaram a construo da Estrada de Ferro Unio Valenciana, com evidentes benefcios para a economia local. Da estrada de ferro seria o primeiro presidente, e por seu trabalho receberia do governo imperial a comenda da Ordem da Rosa.
    Manoel Antnio Esteves morreu em sua casa no Rio de Janeiro em 1879, no auge de seu prestgio e da fortuna que legou aos filhos. Sucede-lhe na administrao dos negcios o filho Francisco Martins Esteves, pessoa de cultura e saber, de hbitos refinados, amante da msica clssica e da pera. Residiu em Paris por algum tempo, aos se casar com Ana Carolina, filha do conselheiro e ministro do Imprio, Zacarias de Ges e Vasconcelos. Retornando ao Brasil, trabalhou na comissria e na fazenda Santo Antnio, sem demonstrar gosto ou inclinao para o mundo dos negcios. Administrando a fazenda como lhe era possvel e j enfrentando os contratempos que sucederam a derrocada do ciclo, Franciso adquire partes dos demais herdeiros e fixa-se definitivamente em Paiol, que passou a gerir juntamente com o filho, Marcos Zacarias Manoel Esteves, depois seu sucessor na fazenda em franca decadncia.
    Em meio s maiores dificuldades, os Esteves se desfazem de parte das terras, com a finalidade de assegura a manuteno das benfeitorias. Marcos morreria precocemente em 1941, e sua viva desde ento desenvolveu esforo que deve ser enaltecido. Com a fazenda praticamente desativada, sem renda e com o patrimnio em terras sensivelmente reduzido, Francisca Olympia Alves de Queiroz Esteves lutou determinadamente para preservar como pde todo o acervo mvel e imvel de Santo Antnio. Assumindo uma ligao afetiva com a memria da fazenda, do marido e da saga dos Esteves, empenhou-se com denodo para manter vivo tudo que dissesse respeito a Marcos e aos Esteves.
    Assim chega at o ano de 1969, quando, idosa, no mais podendo prosseguir em seu propsito, e nem mesmo se manter na fazenda, toma a deliberao de do-la a uma entidade religiosa, a Congregao da Pequena Obra da Divina Providncia (Don Orione), como ltimo recurso para manter a propriedade e os pertences dos Esteves. No ano de 1990, a Fazenda Santo Antnio do Paiol foi arrendada por Rogrio Vianna, empresrio carioca que, juntamente com sua esposa Maria Alice, empreendeu uma grande reforma na sede, j ento desgastada pelo tempo. Nesta empreitada, foram recuperados a sede, o mobilirio e, especialmente, foi organizado o acervo documental da Fazenda, magnfico legado preservado pela famlia Esteves que, no obstante, havia permanecido inacessvel aos olhos de pesquisadores e interessados. Scio Fundador do Instituto PRESERVALE, Rogrio restituiu Fazenda Santo Antnio do Paiol a sua dignidade e importncia histrica, bem como resgatou, em meio aos documentos encontrados em Esteves, informaes de enorme valor histrico, que esto sendo hoje pesquisados e catalogados a partir de projeto do Instituto PRESERVALE.
    A Fazenda voltou s mos da Ordem Dom Orione no ano de 2000, e est retomando, com o PRESERVALE, a atividades de Turismo Cultural iniciadas por Rogrio e Maria Alice Vianna. 

     

     

    Fonte:

    Fazenda Santo Antnio do Paiol

    Reviso:

    Sonia Maria Mattos Lucas

    Informaes:

    Frei Geraldo Magela

    Tel: (24) 2458-4720

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    Fazenda Pau DAlho

     

    A fazenda do Pau DAlho teve origem nas terras da sesmaria concedida a Joaquim Marques da Silva e sua mulher D. Faustina Anglica de Moura, denominada Cachoeira de Santa Rosa.
    Sua excelente localizao geogrfica, nas proximidades da Aldeia de Valena, facilitou sua abertura ainda em princpios do sculo XIX, sendo assim uma das pioneiras na zona da recm fundada Aldeia
    Marques da Silva, que havia se estabelecido na Fazenda de Santa Rosa, teve muitos filhos que, aps constiturem famlia, estabeleceram-se na sesmaria, dando origem a outras pequenas propriedades como Pau DAlho. Aps o falecimento de Joaquim Marques da Silva, a viva e os filhos dividem as terras, vendendo parte delas.
    Em 1835, a viva D. Faustina, vende parte das terras da Fazenda Pau DAlho ao comendador Jos da Silveira Vargas. Silveira Vargas foi Comendador da Ordem da Rosa e seria em 1826 o primeiro presidente da Cmara Municipal de Valena e um dos maiores animadores de seu progresso. Vargas inaugurou em Valena um perodo de importante realizaes, sendo responsvel pelo primeiro passo em prol da instaurao do ensino primrio na vila, da fundao da Santa Casa de Misericrdia e da construo da matriz de N. Senhora da Glria. Foi tambm pioneiro na vacinao antivarilica e na preservao do meio ambiente valenciano, combatendo ecologicamente as pragas que atacavam a lavoura de caf.
    Embora tenha feito de sua Pau DAlho um importante empreendimento agrcola, em cuja propriedade trabalhavam cerca de 170 escravos, Vargas no se dedicou com afinco s atividades da lavoura cafeeira. Era poltico e capitalista, sendo na poca um dos maiores acionistas do Banco do Brasil. Ao morrer em 1861, deixou um capital acumulado em 1,016 : 464 # 974 contos de Ris.
    Aps a morte de Vargas a fazenda ficou em poder da viva D. Maria Joaquina da Silveira e os seis filhos do extinto casal: D. Brbara, D. Carolina, D. Placidina, Custdio, Antnio e Alexandre, cuja administrao da fazenda a este ltimo caberia.
    Em 1866, falece D. Maria Joaquina, e Pau DAlho fica em poder dos filhos Carolina, Placidina, Custdio e Alexandre. Na poca contando com uma rea de 562 e meia braa, por 1500 de fundos em terras, Pau DAlho era um verdadeiro celeiro para Valena. Produzia alm de cafr, muito milho, arroz, mandioca, feijo, carne de porco, alm de madeira para construo, l de carneiro e algodo.
    Em fins do sculo XIX, o caf encontrava-se em profunda decadncia em todo Vale do Paraba. Muitas fazendas estavam hipotecadas aos bancos nesta poca e, com a Abolio da Escravatura em 1888, a situao ainda mais se agravara. O mesmo ocorria em Pau DAlho.
    Lus Damasceno Ferreira, filho de D. Placidina e do comendador Joo Damasceno Ferreira, nesta oca estudava medicina no Rio de Janeiro. Abandonou o curso e veio para Valena administrar a fazenda dos pais e tios, que encontrava-se com sua economia abalada. Damasceno, ilustre autor da Histria de Valena, dirigiu a fazenda at 1897 quando foi vendida ao comerciante italiano Vito Pentagna, que j era proprietrio nesta ocasio da vizinha Fazenda Santa Rosa.
    Nicolau, Caetano e Vito Pentagna eram filhos de Saverio Pentagna e Giuseppina Sorrentino, oriundos da vila do Scrio, provncia de Salerno Itlia. Como tantos outros italianos, fugia do crescente empobrecimento do sul do pas, buscando as glrias prometidas pelo caf do outro lado do Atlntico. Nicolao foi o primeiro a chegar no Brasil em 1863.
    Em 1878, Nicolao transfere-se para Valena, onde tornou-se scio do portugus Manuel Pereira Sampaio na casa Comercial Pentagna & Sampaio , constituindo uma das maiores da regio. Logo depois chegaram em Valena o outros irmos Vito e Caetano. Vito trabalhou como tropeiro entre o sul de Minas e Valena. No tardou e entrou para scio da firma Pentagna & Sampaio, e seu nome no demorou a ser sinnimo lder comercial. Em seguida, torna-se proprietrio da Fazenda de Santa Rosa.

    Dotado de tino industrial, aproveitou o represamento do Rio da Flores em sua Fazenda Pau D Alho, iniciando em 10 de maro de 1912 a construo de uma usina hidreltrica para proporcionar a concretizao de seu velho sonho de instalar mais uma industria em Valena. Logo aps, em 07 de setembro de 1913, era fundada a Cia. Fiao Tecidos Santa Rosa.
    Faltando pouco para ver definitivamente concludo seu maior empreendimento, falecia Vito Pentagna vtima de infarto.
    Aps a morte de Vito em 1914, a fazenda passou s mos da viva Urbana de Castro Pentagna. Esta legou por sua morte, em 1940, ao filho Dr. Savrio Pentagna, advogado, industrial de poltico.
    Dr. Savrio esteve sempre dinmico frente da direo da fbrica Santa Rosa, enfrentando momentos difceis, que s puderam ser contornados por sua grande habilidade. Com a sade abalada, em 1953 coordenou a venda do controle acionrio da Companhia para seu cunhado Dr. Jlio Mouro Guimares. Pouco tempo depois veio a falecer.
    O atual proprietrio o Humberto Vito Pentagna, nico filho varo do Dr. Savrio, que desde cedo dedicou grande interesse pela fazenda, colocando-se logo que a idade o permitiu, frente de sua administrao. Para assisti-la de forma mais completa, buscou formao profissional adequada, tornando-se engenheiro agrnomo. Em plena atividade, Humberto j tem sua continuidade assegurada em seu filho Savrio Vito Pentagna, 4 gerao da famlia na fazenda, um fato raro nos dias atuais.
    A principal atividade econmica da Fazenda Pau D Alho sempre foi o caf, que aos milhares de ps, cobria seu vasto solo, abarrotando de gros as grandes tulhas. A libertao dos escravos e a conseqente decadncia da lavoura cafeeira em todo o estado transformaram, como na maioria das fazendas da regio, seus cafezais em pasto para o gado. Nos anos 60 voltou-se ao plantio original do caf.
    Em suas terras, alm dos pastos para o gado bovino, h plantaes de milho e feijo e uma grande variedade de rvores frutferas. Encontramos tambm belas quedas dagua, sendo digna de nota por seu valor histrico e magnificncia, a Usina Hidreltrica Vito Pentagna, cuja barragem, que represa o Rio das Flores, foi inaugurada em 1943, em substituio a uma antiga existente. Responsvel pelo fornecimento de energia da Companhia Fiao e Tecidos Santa Rosa, esta usina atendeu tambm a particulares em Valena.
    Com uma localizao privilegiada, em meio a um cenrio de grande beleza natural, inspirou uma justa homenagem da internacionalmente famosa Rosinha de Valena, que comps Usina de Prata, interpretada pelo cantor Ney Matogrosso. Scios Fundadores do Instituto PRESERVALE, Humberto e sua esposa, Aparecida Pentagna, recebem grupos de Turismo Cultural em visita orientada pela propriedade, recentemente restaurada pela famlia.

     

     

    Texto e Pesquisa:

    Adriano Novaes

    Reviso:

    Sonia Mattos Lucas

    Fontes:

    Anotaes de Fernando Antnio Ielpo Jannuzzi Filho

    Arquivo do Museu da Justia do Rio de Janeiro

    Arquivo Pblico do Estado do Rio de Janeiro

    Cartrio do Segundo Ofcicio de Valea

    Informaes:

    Aparecida Pentagna

    Tel: (24) 2453-3033

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    Fazenda Florena

     

    Com a chegada do Caf no Vale no Paraba em princpios do sculo XX, famlias inteiras migraram para a regio, a fim de se dedicarem aos negcios da lavoura. Entre tantas, destaca-se a irmandade dos Teixeira Leite, uma das mais proeminentes. Precursores de uma srie de idias inovadoras como, por exemplo, a Estrada de Fero D. Pedro II e o primeiro Banco Agrcola no interior da Provncia, espalharam-se pelas comarcas de Vassouras, Valena, Barra Mansa e Alm Paraba.
    Mineradores na regio de So Joo Del Rei, o primeiro a chegar foi Custdio Ferreira Leite Guimares, futuro Baro de Ayuruoca.
    Ayuruoca tornou-se quase uma lenda na regio, a ele atribuda a propagao do caf no Vale, assim como a abertura de estradas e pontes para escoamento do precioso gro.
    Sabendo da distribuio de terras pela Coroa Portuguesa na regio, trouxe consigo, inmeros parentes. To cedo, tornaram-se os irmos, sobrinhos e primos, fazendeiros de caf.
    Entre eles, o irmo Anastcio Leite Ribeiro (1787 1853), que adquire duas sesmarias que confrontavam com sesmaria dos ndios Araris, no Conservatrio de Santo Antnio do Rio Bonito.
    Anastcio fundou a fazenda So Jos do Rio Bonito, cuja sede muito bem localizada, ainda jaz em vales conservatorienses.
    De seu casamento com Maria Esmria D Assuno nasceram os filhos: Anna Maria Esmria, que foi a primeira mulher do Futuro Baro de Vassouras, fundaram fazenda Cachoeira Grande em Vassouras; Joo Ferreira Leite; Joaquim Leite Ribeiro, foi Juiz de Paz em Conservatria; Francisco Leite Ribeiro, depois da morte dos pais ficou com a fazenda So Jos e Boa Vista; Marianna Cndida casou com o primo Francisco Leite Pinto, foram fazendeiros em Mar da Espanha; Custdio Ferreira Leite; Maria Francisca Leite; Anastcio e finalmente Jos Leite Ribeiro, que aps a morte dos pais, fundou a fazenda Florena.
    Um belo exemplar da arquitetura neoclssica dos oitocentos o Solar Florena marcado pelo alpendre com fronto neoclssico, raros nos solares do Vale Cafeeiro.
    Jos Ferreira Leite viveu at 1861, ficando a fazenda com seus herdeiros at o final do sculo XIX.
    Em princpios do sculo XX foi adquirida pela famlia de Luprcio de Castro, cuja famlia foi proprietria durante anos.

     

     

    Texto e Pesquisa:

    Adriano Novaes

    Fontes:

     

    Locais Pesquisados:

    Museu da Justia Tribunal da Justia do Estado do Rio de Janeiro

    Inventrio de D. Maria Esmria dAssuno 1842 / caixa 115 proc. N 1117

    Informaes:

    Paulo Roberto dos Santos

    Tel: (24) 2438-0124

    Site: www.hotelfazendaflorenca.com.br

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    Fazenda da Bocaina

     

    A histria da Fazenda Bocaina, reflete um dos processos de ocupao do territrio no Vale do Paraba do sculo XIX. No aquele dos grandes proprietrios que, ao prosperarem, trocavam favores com o Imprio e adquiriam ttulos nobilirquicos, aumentando suas terras, deixando legados aristocrticos e grandes dvidas com os bancos. Ao contrrio, revela a mobilidade das famlias rurais em sua conquista pela sobrevivncia, modelando assim a experincia histrica de um grande contingente da populao regional, comprometido com a pequena propriedade, a lavoura e a vida nas cidades da provncia fluminense.
    A Fazenda da Bocaina est situada no Municpio de Valena RJ, localizando-se a 130 Km do Rio de Janeiro e a 350 Km de So Paulo, fazendo parte do circuito do Ciclo do Caf e do pool das fazendas histricas do Instituto Preservale.
    A propriedade fez parte da sesmaria concedida pelo Prncipe Regente D. Joo VI D. Brbara Joaquina em 1816 no  Serto de Valena.
    Sua sede tem, aproximadamente, 160 a 180 anos, tendo sido erguida mesmo antes do apogeu do Ciclo do Caf.
    As reas requeridas na poca eram muito cobiadas nesta ocasio pela proximidade com o rio Paraba do Sul (at ento principal meio de penetrao no Serto de Valena) e com Aldeia de Valena que foi  fundada em 1803.
    Sua principal produo na poca era de cereais e vveres que abasteciam o Rio de Janeiro e a prpria Aldeia de Valena.
    Este tipo de propriedade bem antiga, com caractersticas tipicamente mineiras e que se costumava intitular de cabea de sesmaria, porque as casas eram bem simples e abrigavam os primeiros portugueses que aqui aportavam (os que vinham realmente desbravar e trabalhar).
    A partir dessa sesmaria e com a expanso do cultivo do caf, ela foi dividida e vendida a outros proprietrios que construram casas maiores e mais suntuosas como a Fazenda da Cachoeira (antiga Fazenda da Floresta) que ficava a noroeste da sesmaria e da Fazenda Boa Vista, que se situava na testada da sesmaria, onde hoje se ergueu o bairro So Francisco. Desta Fazenda no sobrou nenhum vestgio, a no ser um enorme tronco centenrio no corao do bairro.
    A Fazenda da Bocaina possui aproximadamente seis proprietrios, incluindo o atual, que a adquiriu em 1981.
    BOCAINA, etimologicamente um vale na montanha, local onde a propriedade foi construda.
    A atual proprietria e sua famlia reconstituram ao longo dos anos, minuciosamente, as caractersticas originais da sede e seus arredores, que estavam muito abandonados, realizando outras construes de igual arquitetura.
    Foi residncia de veraneio por todo esse tempo e hoje est aberta para visitao histrica de grupos previamente agendados com caf colonial ou almoo antecipadamente marcado.

    A propriedade produtiva e seleciona Nelore de elite.

     

    Pesquisa:

    Adriano Novaes

    Texto:

    Solange Goes

    Fontes:

    Fazenda da Bocaina

    Informaes:

    Solange Azevedo de Araujo Goes

    Tel: (24) 2453-3266 / 2453-8100

    Cel: (24) 8823-4266 / 9965-1048

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    Fazenda Chacrinha

    Tudo leva a crer que o cidado Manoel Pereira de Souza Barros adquiriu, em meados da dcada de 1840, de Joaquim Jos dos Santos, duas sesmarias no serto dos ndios Coroados de Valena, nas margens do rio das flores, requeridas em 1805 e 1813 a Dom Fernando Jos de Portugal, Capito General de Mar e Terra e Vice-Rei do Estado do Brasil.

    Durante as dcadas de 1850 e 1860, Capito Souza Barros desenvolveu suas fazendas com lavoura de caf. Segundo o historiador valenciano Jos Leoni Irio, a fazenda Chacrinha ficou reservada ao filho de igual nome, Manoel Pereira de Souza Barros, que tendo sido atacado de molstia grave, em sua adolescncia, abandonou o curso que estava fazendo na Faculdade de Direito de So Paulo, e seu pai viu-se obrigado a manda-lo para Portugal, onde se submeteu a rigoroso tratamento. Irio menciona ainda que aps a chegada do filho, j restabelecido da doena, foi oferecida em Campo Alegre uma grande festa em sua homenagem. Nesta festa o agora Comendador Souza Barros fez pesar o jovem rapaz em uma balana, colocando em um dos pratos barras de ouro. O seu peso em ouro foi o valor do dote que lhe dera o seu progenitor. Da, a alcunha menino de ouro que lhe deram muito apropriadamente.

    Logo em seguida, Manoel Pereira de Souza Barros casou-se com a prima D. Rita Arnalda Pereira de Souza Barros, com quem teve onze filhos, sendo que dez atingiram a idade adulta.

    A atual sede da fazenda Chacrinha, que substitui uma modesta casa de vivenda construda por Santos, comeou a ser edificada no final da dcada de 1860, o que coincide com o retorno de Manoel para a fazenda do pai.

    A partir do final da dcada de 1860, o Tenente Coronel Manoel Pereira de Souza Barros se dedica aos negcios da Fazenda em companhia do pai. Participa ativamente da vida social e poltica da cidade de Valena, porm no se afasta do ambiente social da corte. Divide o seu tempo entre Valena e a Capital do Imprio do Brasil, onde transforma a antiga residncia de seus pais em elegante palacete.

    Os investimentos tecnolgicos, logsticos e sociais implantados na vida de Campo Alegre por Souza Barros, mesmo depois da morte de seu pai, nos fazem acreditar que ele abandonou o projeto de residir na Chacrinha. A mudana de ideia teria sido a favor do filho mais velho, tambm chamado Manoel Pereira de Souza Barros, para quando este atingisse a idade adulta e estivesse pronto para gerir os negcios da fazenda.

    Souza Barros participa ativamente na viabilizao da fundao da Companhia Estrada de Ferro Unio Valenciana. Alm de scio, seria tambm presidente da Companhia em 1870.

    Em suas terras fez construir a estao que levou seu nome, Souza Barros, que tempos depois teve o nome mudado para Estao de Chacrinha, dando origem ao bairro do mesmo nome. A partir desta estao, construiu uma linha frrea de sete quilmetros at Campo Alegre, por trao animal.

    Em 17 de dezembro de 1881, Manoel Pereira de Souza Barros agraciado com o ttulo de baro de Vista Alegre, coroando o auge de sua ascenso social. O momento histrico com a quase concluso do luxuoso Solar do Chacrinha, avaliado na poca em 30 contos de ris.

    Para marcar a poca, manda colocar uma cartela com as inscries do ano de 1881 na porta lateral do Solar da Chacrinha. Este momento foi registrado pelas lentes do fotgrafo Marc Ferrez, que em visita s fazendas do baro de Vista Alegre, realizou, alm das fotos da Chacrinha, diversas fotos da fazenda Campo Alegre, principalmente de escravos no eito. Estas fotos constituem para a Histria verdadeiras relquias de registro do trabalho escravo nas fazendas cafeeiras oitocentistas.

    Alm da produo de caf, Chacrinha se consolida como importante produtora de aguardente, uma das poucas fazendas com produo em escala comercial.

    Uma outra paixo dos bares de Vista Alegre o turfe. Alm de participar da fundao do Derby Club na corte do Rio de Janeiro, o baro constri, prximo fazenda Campo Alegre, um prado particular Seus cavalos importados fazem sucesso no Derby e at mesmo fora do Brasil, como por exemplo, em turfs na Argentina.

    A gua puro-sangue ingls Frinia, campe internacional, foi citada no jornal La Prensa de Buenos Aires, quando da inaugurao do Hipdromo de Buenos Aires, por haver ganho o prmio.

    Vista Alegre herdou do pai 234 escravos. Aos poucos, foi libertando seus escravos, o que geralmente acontecia no dia 08 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceio, padroeira da fazenda Campo Alegre. A exemplo de seu vizinho, o visconde de Pimentel, o baro de Vista Alegre cria sua fazenda Campo Alegre uma escola para ingnuos, crianas filhas de escravos que haviam nascido aps a Lei do Ventre Livre.

    De nada adiantaram as iniciativas acima. A abolio veio, e com ela a falncia dos Vista Alegre.

    Em 14 de maio de 1890, o baro hipoteca ao Banco da Lavoura e do Comercio do Brasil a fazenda Campo Alegre, stio Retiro e alguns imveis urbanos na Capital. Com a possibilidade de perder tudo que havia conquistado e com a sade abalada por complicaes cardacas, com a idade de 42 anos, em 8 de janeiro de 1891, o baro de Vista Alegre falecia, repentinamente, no seu palacete da rua Conde dEu. Seus restos mortais foram inundados no cemitrio de S. Joo Batista, no Rio de Janeiro.

    A fazenda Chacrinha que estava hipotecada foi arrematada pelos Esteves, Irmos e Cia, por 195:295$000.

    Sem sabermos do real motivo da dissoluo do patrimnio rural dos Esteves, o certo que estes Hipotecaram ao Banco do Brasil as fazendas Chacrinha (5/8/1892), Campo Alegre, Santa Thereza e Vista Alegre, estas duas ltimas havidas em execuo de uma hipoteca do Visconde de Pimentel datada de 8/8/1881, no valor de 120 contos de ris.

    Levadas novamente a leilo pelo Banco do Brasil, em 1901, as quatro fazendas acima mencionadas so adquiridas pelos irmos lvaro e Horcio Mendes de Oliveira Castro.

    Com os Mendes de Oliveira Castro um novo ciclo se inicia na histria dessas fazendas.

    Depois de fechado o negcio, os irmos Oliveira Castro formaram a sociedade denominada. Desde o incio, lvaro assumiu a administrao direta da Companhia Alliana Agrcola, proprietria das fazendas Santa Thereza, Vista Alegre, Campo Alegre, Caieira, Chacrinha e o stio Retiro (Velho).

    Empreendeu a modernizou o sistema de beneficiamento de caf da Campo Alegre, ampliou a linha frrea at a sede da Chacrinha e substituiu os bondes de trao animal por pequenas locomotivas vapor. Reformou a antiga estao Souza Barros e mudou seu nome para Estao de Chacrinha. Diversificou as atividades agrcolas nas fazendas, introduzindo nas propriedades o gado de leite e a produo de laticnios. Para a produo de laticnios, lvaro centralizou a produo na fazenda Vista Alegre, aproveitando as antigas instalaes do engenho de caf da fazenda. Para melhorar a produo da manteiga produzida em Vista Alegre, convidou o dinamarqus Malm Nielsen, que, com essa sociedade, mudaria completamente a histria da produo de queijos finos no Brasil.

    Aos poucos, os enormes cafezais vo sendo substitudos por pastos, como se sucedeu com todas as fazendas do vale do Paraba.

    Com o passar dos anos lvaro adquire a parte de Horcio na sociedade, tornando-se nico proprietrio da Companhia e, em 1956, toma a iniciativa de dividir seu patrimnio entre seus cinco filhos.

    Em 1985, os irmos Oliveira Castro vendem Chacrinha ao empresrio e mdico carioca Dr. Pedro Alberto Guimares, um apaixonado por antigas fazendas de caf, que adquiriu e recuperou da runa algumas casas histricas, entre elas Santana do Turvo, em Barra Mansa, e So Fernando, em Vassouras. Com Chacrinha no foi diferente, embora seu estado de conservao fosse excelente. Em agosto de 1987, as obras de restaurao foram inauguradas com toda pompa e circunstncia.

    Dr. Pedro Alberto, em 1996, resolve vender Chacrinha ao casal de advogados cariocas Srgio Shaione Fader Fadel e Hecilda Martins Fadel, com razes no vale do Paraba.

    Chacrinha no poderia estar em melhores mos. A sensibilidade artstica do casal Fadel se uniu ao gosto pela histria desta aristocrtica propriedade.

    Srgio continua com a vocao econmica da fazenda mantendo a criao de gado da raa nelore e girolando para corte e leite, alm da produo da aguardente  Chacrinha.

    A Srgio e a sua dedicada esposa Hecilda, o mrito de fazer perpetuar a vocao histrica da fazenda Chacrinha, como monumento histrico a ser preservado.

    A propriedade produtiva e seleciona Nelore de Elite.

     

    Texto e Pesquisa:

    Adriano Novaes

    Reviso:

    Sonia Mattos Lucas

    Informaes:

    Estrada de Chacrinha s/n Valena RJ

    Contato:

    Dra.Hecilda Fadel

    Tel: (24) 2453-4661 / (21) 2262-8685

    Fax: (21) 2240-5458

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    OBS: A Fazenda recebe para visitao guiada, com reserva antecipada.

    Abre anualmente para concertos do Festival Vale do Caf

     

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    Vassouras

     

     

     

    Fazenda So Luiz da Boa Sorte

     

     

    Pesquisa:

    Adriano Novaes

    Reviso:

    Sonia Mattos Lucas

    Informaes:

    Rodovia Lcio Meira - BR 393 - KM 210 Vassouras - Vale do Caf RJ

    CEP: 27336-000

    Tel: (21) 9250-9798 / (24) 9298-7204

    Site: www.fazendasaoluizdaboasorte.com.br 

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    Fazenda Cachoeira Grande

     

    De todas as famlias que povoaram o Vale do Paraba durante o efmero ciclo do caf, nenhuma teve tanta projeo social quanto os Teixeira Leite. Entre estes, destaca-se a  figura mpar de Custdio Ferreira Leite O Baro Aiuruoca, cuja ao projetou-se em vrias regies cafeeiras  do Vale. Alm de ter  proporcionado obras assistenciais como abertura de estradas, construo de pontes, igrejas e hospitais, a este atribudo a programao do caf no Vale do Paraba. Oriundo de So Joo DEL Rei, filho de abastados senhores de minas de ouro, o Baro de Aiuruoca imigrou para o Vale do Paraba em princpios do sculo XIX, trazendo consigo inmeros parentes. Entre estes, o sobrinho Francisco Jos Teixeira Leite, filho de sua irm Dona Bernardina a Baronesa de Itamb.

    Francisco Jos, com apenas 16 anos de idade, havia sido contratado para a construo da Estrada da Polcia em 1820, na qual a cidade de Vassouras foi fundada. Em 1830, casa-se com a prima, Dona Maria Esmria Teixeira Leite, recebendo como dote, parte das terras que viriam a integrar a Fazenda da Cachoeira. Desde ento, d incio s atividades de abertura da fazenda, onde planta as primeiras mudas da rubicea em substituio s extensas florestas que outrora revestiam seus morros. Com as madeiras extradas desta derrubada, constri a casa da morada, senzalas, engenhos, entre outros... Paralelamente, dedica-se negociao de capitais e s causas sociais na vizinha Vassouras. Sendo um de seus fundadores, adquire-se ao desenvolvimento social e econmico da cidade. Tal dedicao colabora para que a cidade torne-se o mais importante centro cafeeiro durante o segundo Imprio. Neste perodo, Cachoeira mais usada como residncia que empreendimento agrcola.

    Em 1871, Francisco Jos chega ao pice de sua projeo social e agraciado pelo Imperador D. Pedro II, com o ttulo de Baro de Vassouras. Treze anos depois, falece aos 80 anos de idade, deixando uma fortuna aos 11 filhos que teve do primeiro e segundo matrimnios, este ltimo com Dona Alexandrina Teixeira Leite. Mesmo com a plena decadncia da produo cafeeira, Cachoeira ainda vive dias de pompa que desfruta desde a fase mais rica do ciclo. Em 1884, meses aps o falecimento do fundador de Cachoeira, os herdeiros deste ofereceram um jantar requintado ao casal Princesa Isabel e Conde DEL, alm de outros ilustres convidados como os bares de Santa Mnica e Visconde de Ibituruna. Este talvez tenha sido o ltimo festim de uma era de riquezas.

    No sculo XX, Cachoeira j no pertencia nobre famlia Teixeira Leite. Na dcada de 40 adquirida por Mrio Mondovo, italiano de origem judaica que emigrou para o Brasil afim de exilar-se da perseguio nazista que assolava a Europa durante a 2 Grande Guerra. Cachoeira prosperou e dedicou-se a diversas atividades agrcolas mas, somente com a pecuria leiteira que fazenda se firmaria. Neste final de sculo, mais precisamente em 1987, Mondovo vende a Fazenda da Cachoeira ao empresrio Francesco Vergara Caffarelli. Com o novo proprietrio, a Casa da Cachoeira, aps longos anos de abandono e quase em runas, passa por um processo de restaurao.

    Caffarelli, italiano oriundo de Roma, foi grande amante das artes. Ajudado por sua esposa, Nbia Vieira Monteiro Caffarelli, dedicou-se com afinco aos trabalhos de restaurao do casaro, que consumiram quatro anos e teve projeto pelo arquiteto Eloy de Mello.

    Com sua rea original bastante reduzida, Cachoeira dedica-se hoje s atividades pecurias e s do turismo cultural. Nbia e sua Madalena participam do Instituto PRESERVALE, contribuindo assim, para uma conscincia preservacionista.

    Pesquisa:

     

    Adriano Novaes

    Reviso:

    Sonia Mattos Lucas

    Informaes:

    Estrada Fazenda da Cachoeira, 1639 Vassouras RJ

    Caixa Postal: 85.611 CEP: 27700-970

    Tel: (24) 2471-1264 / (24) 2491-1983

    Cel: (24) 8123-1866 / 7836-3486 / 7836-3485 ID: 12*10586 / 12*10585

    Site: www.fazendadacachoeiragrande.com.br

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    Fazenda do Secretrio

     

    A Fazenda do Secretrio o melhor exemplo de solar rural cafeeiro em estilo neoclssico existente no Brasil. Localizada no Municpio de Vassouras, a propriedade chegou a possuir 500.000 ps de caf e 366 escravos. Restaurada e mobiliada ao estilo da poca, o solar foi construdo em meados do sculo XIX (1830) por Laureano Correa e Castro, o Baro de Campo Belo. O Baro foi coronel e Comendador da Ordem da Rosa. O ttulo de Baro lhe foi agraciado em 1854 pelo Imperador Dom Pedro II.

    A Fazenda do Secretrio possui vrios aposentos, uma escadaria importada da Europa em madeira de lei, capela, salo de baile e salas de jantar com pinturas do catalo Jos Maria Villaronga, conhecido por suas obras em estilo trompe doeil, uma das caractersticas da decorao interior das fazendas do Vale do Paraba. Os jardins com sua extraordinria beleza e dimenso, possuem esttuas em ferro fundido da famosa fundio Barbezat & Co., localizada no Vale dOsne. A Fazenda do Secretrio foi retratada por Vitor Frond, renomado pintor, e j serviu de cenrio para vrias produes da TV Globo, como as minissries Os Maias e Os Quintos dos Infernos.

    Informaes:

    Sra. Martha Ribeiro de Britto

    Tel: (24) 2488-0150 ou (21) 2544-8850

     

     

    Informaes:

    Sra. Martha Ribeiro de Britto

    Tel: (24) 2488-0150 / (21) 2544-8850

     

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    Fazenda Mulung Vermelho

     

    Sua origem remonta ao princpio do sculo XIX, quando suas terras foram doadas atravs do sistema de sesmaria ao concessionrio capito Antnio Luiz dos Santos, e a sua mulher D. Luiza Maria Anglica, a terceira filha do lendrio Capito Igncio de Souza Werneck, patriarca do cl mais importante do perodo cafeeiro no Vale do Paraba.

    Esta unio deu origem ao ramo Santos Werneck, que vo estender seus domnios na regio de Massambar, no municpio de Vassouras e no distrito de Bemposta, municpio de Trs Rios.

    D. Luiza faleceu em 1813 e o Capito Antonio Luiz dos Santos em 1825, aos 53 anos de idade, de uma inflamao do peito. Esta a data provvel em que um de seus sete filhos, Francisco Luiz, recebeu de herana as terras que deu origem fazenda So Francisco, hoje denominada Mulung Vermelho.

    Um fato curioso sobre est famlia que as fazendas fundadas pelos filhos do capito Antnio Luiz, pelo menos as de Massambar, tiveram nomes de santos homnimos aos seus fundadores, como por exemplo a fazenda So Fernando, fundada por Fernando Luiz dos Santos Werneck, a de Santo Antnio, por Antnio Luiz dos Santos Werneck (este migrou para Bemposta fundando l diversas fazendas), So Luiz, por Luiz Barbosa dos Santos Werneck e So Francisco, por Francisco Luiz dos Santos Werneck, que curiosamente usava a grafia Verneck.

    Pelo que consta, o solar de So Francisco foi construdo em 1831, na primeira fase do caf no Vale do Paraba e, com pouco tempo de lavoura, tornou-se uma das mais prsperas de Vassouras. Tudo isso facilitado pela abertura da importante e pioneira estrada do Comrcio em 1816, que cortou as fazendas dos irmos Santos Werneck, de ponta a ponta, trazendo-lhes grandes vantagens no transporte de caf para portos da baixada e posteriormente aos do Rio de Janeiro e finalmente Europa. Por esta mesma estrada, viro os primeiros requintes da Corte do Rio de Janeiro, transformando as sedes das fazendas cafeeiras em verdadeiros palcios rurais, que nada deviam s residncias mais luxuosas da Capital do recm criado imprio brasileiro.

    Influenciado pela arquitetura mineira do sculo XVIII, o solar de So Francisco vai receber uma maquiagem neoclssica, estilo este introduzido no Brasil em 1816, pela Misso Artstica Francesa, que vir influenciar toda a arquitetura valeparabana na fase mais rica do caf. A presena do neoclssico no solar pode ser notada nas marcaes dos cunhais, nos capitis, cimalhas, sobrevergas e caixilhos trabalhados.

    Em meados do sculo XIX, quando a produo de caf no Vale do Paraba atinge seu apogeu, So Francisco uma das mais ricas do vale do ribeiro Florncia, alm do caf, cereais que, em alguns casos, abasteciam fazendas vizinhas. Trabalhavam em seus cafezais cerca de 110 escravos, em um nmero aproximado de 280 mil ps de caf, como podemos observar em inventrios da fazenda.

    O tempo passou e os fazendeiros, despreparados quanto ao uso da terra, acabaram por esgot-la e comeava dar sinais de decadncia. Sua viva, D. Maria Francisca Adelaide, casada com o primo Luiz dos Santos Werneck, herdeiro de So Fernando, e Zeferina Adelaide das Chagas Werneck, casada com o primo, o capito Joo Barbosa dos Santos Werneck, herdeiro da fazenda de Cima (So Luiz).

    Capito Joo e Zeferina adquirem as partes dos outros herdeiros,  ficando nicos proprietrios da So Francisco e mais as de Cima e das Cruzes, sendo esta ltima onde casaram em 1858.

    Pouco tempo depois falece Joo, e a fazenda herdada por seu filho Joaquim Barbosa dos Santos Werneck, que se torna o nico proprietrio da fazenda, tendo comprado a parte do seu irmo Joo e a parte de sua me, que havia ficado com a fazenda cima.

    Por volta de 1903, Joaquim se desfaz da fazenda, ento com seus 117 alqueires geomtricos constando do Stio Velho e fazenda Po Ferro, antiga Cruzes, vendendo-a aos recm-casados Fortunato Delgado Motta e Gabriela Messias Delgado Motta.

    Vindos do municpio de Lima Duarte, MG, este casal iniciou um novo ciclo na histria de So Francisco: a do gado de leite, sem, no entanto, abandonar a tradicional cultura do caf cultivado na fazenda at meados da dcada de 1940. Algum tempo depois adquirem as fazendas vizinhas de Cima (So Luiz), Cachoeira Bonita e Dr. Reis (So Jos).

    Fortunato era um homem simples e muito respeitado por seus 11 filhos, tidos com sua amada esposa D. Gabriela Messias, filha de Joo Evangelista de Almeida Ramos e Mariana Evangelista Duque, bares de Santa Brbara do Monte Verde.

    Em 1947, falece Fortunato e So Francisco dividida entre seus herdeiros, a saber: Maria (Nicota),  Milito, Judithe, Mariana (Nenm, falecida ainda jovem), Maria Jos, Jayme (Zez), Geraldo, Francisco, Thereza, Ana (Anita) e Fortunato. Suas terras so fracionadas e o solar, com uma rea de terras reduzida, vendido a Carmem Lahmeyer Duval e seu marido Carlos Afonso Ferraz Duval e Selma Ferreira da Silva.

    O tempo em que o casal Duval fica na fazenda, o suficiente para promover a recuperao do solar, que se encontrava em adiantado estado de deteriorao.

    Esse histrico patrimnio foi adquirido em 1988, por Simone Marques Coimbra Pio da Fonseca, j com o nome de Mulung Vermelho.

    Localizada no municpio de Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, Simone dedicou-se com afinco s obras de recuperao da fazenda.

     

     

    Texto e Pesquisa:

     

    Adriano Novaes

    Professor, Ginealogista e Pesquisador da Histria do Ciclo do Caf, Scio do Colgio Brasileiro de Genealogia

     

    Informaes:

    Estrada de Aliana, 4446 Massambar Vassouras

    Cel: (24) 9829-3628

     

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    Fazenda Cachoeira do Mato Dentro

    Situada no Municpio de Vassouras, est localizada na BR 393, 15 Km do centro da cidade. Pertenceu a Jos de Almeida Avelar, Baro do Ribeiro, estando desde 1896 com a Famlia Rangel. Em estilo neoclssico, mantm caractersticas originais do sculo XIX, fazendo parte do Ciclo do Caf, que tanto enriqueceu a nossa poca, sob a administrao de seu proprietrio Luiz Felippe Rangel. Destaca-se entre outras atraes um banheiro de pedra pertencente aos escravos, alm do terreiros de caf, senzalas e o contato direto com a vida no campo  com passeios a cavalo, carro de boi e animais domsticos de grande e pequeno porte.

     

    Residncia da famlia, hoje abre suas portas para visitas de turistas, escolas e historiadores, podendo ser oferecido caf ou almoo tipicamente rural, alm de queijos tipo frescal, lingia e doces produzidos no local para consumo e venda. Na segunda quinzena do ms de maio realiza-se tradicionalmente um Concerto de Outono

     

     

    Cel: (24) 9992-7350 / 9914-2286 / 9845-1229

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    Fazenda So Fernando

     

    Localizada em Massanbar, Distrito de Vassouras, a Fazenda So Fernando foi  no sculo passado uma das unidades produtoras de caf do Vale do rio Paraba Fluminense. Fundada no incio do sculo XIX, rapidamente se inseriu na monocultura cafeeira, tornando-se uma das importantes propriedades da regio. Sua origem territorial remonta ao sculo XVIII, quando as doaes de terra se intensificaram ao longo do Caminho Novo  de Minas Gerais, especificamente s sesmarias da Vrzea e Vila Latina.
    Fernando Luiz dos Santos Werneck, seu fundador, pertenceu a um dos mais poderosos e brasonados cls da regio. Ao longo de sua trajetria, no sculo XIX, enquanto unidade de produo escravista, a Fazenda So Fernando acompanhou, passo a passo, o movimento de expanso, o apogeu e a decadncia da cafeicultura no Vale do Paraba Fluminense, podendo ser considerada como um dos notveis exemplos desse processo.
    Na virada do sculo, esgotado o ciclo que a produziu, a Fazenda So Fernando hibernou, preparando-se para a nova etapa que o sculo XX lhe reservava.
    Com 122 alqueires e 2000m de rea construda, a sede monumental, construda em trs diferentes monumentos aos longo do sculo, foi restaurada com rigor e excelncia, baseada na pesquisa arqueolgica desenvolvida na propriedade. Uma pequena coleo de objetos encontrada durante as escavaes do stio arqueolgico e recuperada est exposta no antigo crcere, revelando aspectos do cotidiano de senhores e caractersticos do estilo da poca, de grande apuro e beleza.

    A Pesquisa Arqueolgica

    Com o objetivo de recuperar evidncias materiais das atividades cotidiana na Fazenda So Fernando, ao longo do sculo XIX, foram realizadas escavaes arqueolgicas em diversos pontos da propriedade. A pesquisa voltou-se primordialmente para as possveis reas de despejo de lixo, considerando-se o elevado potencial informativo desse tipo de material, capaz de refletir com grande fidelidade os padres de comportamento adotados por um determinado grupo.
    O interesse dessa amostra de natureza fundamentalmente comparativa e, enquanto produzida por um segmento social, apresenta um perfil que dever ser sobreposto ao de contextos semelhantes em outros stios arqueolgicos histricos, de tal forma que permita a constatao de regularidade assim como a configurao de padres comportamentais prprios s categorias examinadas.

    Atividades Atuais

    Hoje, a Fazenda So Fernando desenvolve as atividades de criao e seleo de gado Girolando F1 leiteiro e venda da produo leiteira in natura, agricultura orgnica e reflorestamento, plantando anualmente 6000 mudas de rvores nativas da Mata Atlntica, visando recuperar a fauna e flora e protegendo as nascentes da propriedade. A Fazenda tem sido um laboratrio de experincias nas reas citadas, uma porta aberta para pesquisas, epicentro irradiador de aes sociais e culturais e pioneiras na locao de telenovelas sempre visando a maior valorizao da regio.
    A Fazenda hoje sede do Instituto So Fernando, que atua como catalisador de polticas pblicas nas reas de educao Programa Educar Mais de formao continuada para a rede pblica de educao de Vassouras, meio ambiente e eco-agricultura Orgnicos do Vale com distribuio da produo em cestas cultura apia o Programa de Integrao pela msica PIM desde sua criao, hoje consagrado como Ponto de Cultura pelo Programa Cultura Viva do Ministrio da Cultura, e, patrimnio histrico na regio do Vale do Paraba Fluminense. Desenvolve ainda programa de Turismo Cultural, participando, desde 2003, da promoo do Festival do Vale do Caf, realizado anualmente no ms de julho, e precursor das atividades do Instituto Preservale, do qual o proprietrio da fazenda Scio Fundador e Conselheiro.
    O Instituto So Fernando articula parcerias pblico-privadas, para contribuir na formulao e implementao de polticas pblicas que visem no apenas a melhoria de condies materiais, mas tambm a ampliao do horizonte de desejos e da disposio para agir da comunidade, contribuindo para que as pessoas tenham maior autonomia da conduo de suas vidas.
    A Fazenda de propriedade de Ronaldo Cezar Coelho, desde dezembro de 1983, est aberta a visitao publica. A visita guiada Fazenda compreende um excelente tour pela sede, runas da antiga senzala, quadriltero do caf, e um cafezinho na cozinha.
    A Fazenda rene ainda um acervo de obras de arte representativas das escolas modernas e contemporneas.

     

     

    Informaes:

    Oferece visitao guiada, sob agendamento prvio

    BR 393, Rodovia Lucio Meira, Km 218, Massambar Vassouras RJ

    Site: www.institutosaofernando.org.br

     

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    Barra Mansa

     

    Centro de Cultura Fazenda da Posse

     

    Marco histrico do municpio de Barra Mansa, a sede da Fazenda da Posse teve sua construo concluda em 1768. Joia do estilo colonial brasileiro (com influencia do barroco europeu), esse prdio de linhas singelas mas, profundamente expressivas, caracterizou-se por apresentar elementos originais como as telhas tipo coxeira, pau a pique nas alvenarias externas e internas do primeiro piso com a estrutura aparente, alcovas e janelas fora do prumo do andar superior. A planta primitiva foi alterada nas diversas reformas pelas quais passou, mas na ltima, por iniciativa de grupos ligados preservao histrica da cidade e com patrocnio do Sistema Firjan, praticamente reconstruiu o casaro que se encontrava em runas. O trabalho executado contou com a preciosa colaborao do Sistema Firjan (federao das Indstrias do Rio de Janeiro) em parceria com profissionais do IPHAN e da prefeitura municipal de Barra Mansa.

    Na recuperao do prdio foram utilizados elementos das construes originais (vigamentos, esquadrias) e material da mais nova tecnologia como lmpadas dicroicas necessrias para a realizao de exposies de artes plsticas frequentes na atual programao da casa, No entorno da casa destaca-se um gramado com jardins, rvores e fonte, onde nos dias festivos so instaladas tendas para apresentaes musicais e de outros gneros. A gesto do Centro de Cultura fazenda da Posse partilhada pelo SESI Barra Mansa e a Fundao de Cultura, Esporte e Lazer de Barra Mansa, responsvel pela gerncia artstica do casaro a qual vem organizando desde o incio da primeira administrao do projeto Roosevelt Brasil Fonseca em 2001, uma mdia de oito exposies artsticas anuais e inmeros cursos, workshops e oficinas abertas comunidade regional. Um conselho formado por membros do SESI e da Fundao de Cultura dedica-se a traar os rumos da instituio e estabelecer novas regras e critrios para o seu melhor desempenho no futuro.

    Encontros com a Arte Arte e professor

    O programa Encontros com a Arte para professores prope reflexes sobre a educao e o conhecimento, criando inter-relaes entre diferentes disciplinas como a histria da arte, o ensino e o fazer artstico. O intuito aproximar professores e arte e estimular reflexes e debates sobre uma concepo atualizada de educao, sobre aspectos da didtica e sobre conhecimentos necessrios ao educador.

    Encontros com Arte Arte e Alunos/ Arte e comunidade

    O programa Encontros com a Arte para alunos e comunidades, prope uma visita orientada casa, exposio e atividades de arte em oficinas. Com o intuito de aproximar o pblico da obra do artista, so elaborados laboratrios de arte com atividades de desenhos, pintura, modelagem, exibio de filmes, imagens e msicas, dentro do contexto da exposio.

    Sala Dr. Mrio Ramos

    No pavimento superior do Centro de Cultura Fazenda da Posse encontra-se a sala dedicada memorabilia do Dr. Mrio de Oliveira Ramos que nasceu em Barra Mansa em 25 de abril de 1882 e que exerceu a medicina nessa cidade, a partir de 1907. Filho do Dr. Jos Hyplito de Oliveira Ramos e de D. Francisca Jlia Alves de Oliveira, neta do Baro de Guapy, casou-se em 1907 com Valentina Borges Vieira Ferraz, indo residir no casaro da Av. Joaquim Leite, n 25, onde instalou consultrio no 1 pavimento do sobrado. Formou enorme clientela na regio atendendo a todos os que por ele procuravam, em sua grande maioria pessoas sem recursos e que pagavam suas consultas com doaes de gneros alimentcios, aves e pequenos animais de criao caseira.

     

     

    Informaes:

    Centro de Cultura Fazenda da Posse

    Rua Dario Arago, 02, centro Barra Mansa RJ

    CEP: 27330-050

    Horrio de funcionamento: De quarta a domingo de 11h. s 17h.

    Contatos:

    Carla Giovana

    Tel: (24) 3322-3855

    Site: ccfazendadaposse.blogspot.com

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